Mais de mil crianças de até 9 anos já testaram positivo para Coronavírus no Espírito Santo

Ao longo do período da pandemia de coronavírus, um total de 1.029 crianças na faixa etária entre zero e nove anos de idade já testaram positivo para a doença no Espírito Santo. Somando-se os adolescentes na faixa dos 10 aos 19 anos a esta conta, o número chega a 2.995 infectados.

Para especialistas, esse número pode ser ainda bem maior, já que como crianças e adolescentes costumam apresentar poucos sintomas da doença, muitas acabam não passando pelos testes.

De acordo com o coordenador regional da Sociedade Brasileira de Pediatria, Rodrigo Aboudib, já existem algumas explicações da medicina para o fato de as crianças, em geral, serem afetadas de forma menos severa pelo vírus.

“As crianças possuem uma expressão menor de uma proteína chamada ECA tanto em sua fossa nasal quanto no pulmão. Essa proteína, que é conversora de angiotensina, facilitaria a entrada do vírus nas células. Como as crianças possuem uma quantidade menor dela, a criança teria uma carga viral menor e, por conseguinte, uma doença em uma forma mais simples”, explicou.

Outra possibilidade, segundo o especialista, é que, devido ao fato de crianças terem muitas viroses, elas poderiam desenvolver uma imunidade cruzada com outros vírus.

Henrique Garschagen Barbosa, de um ano e nove meses, é um dos exemplos de crianças que passaram pela doença sem manifestar sequer um sintoma. Mesmo aparentando estar bem, o menino fez o teste para a Covid-19 após a mãe ter sido diagnosticada com a doença.

“Ele não apresentou nenhum sintoma, mas como dormimos todos juntos, misturados, eu contatei o pediatra dele para ver o que fazer. Fizemos o teste e ele deu reagente”, explicou a mãe do menino, Fernanda Garschagen.

Apesar de Henrique ter evoluído muito bem, a mãe não esconde o medo em relação à doença. “Apesar de ele ser uma criança muito saudável, a gente fica com receio”, disse.

Já com Maria Eduarda do Amaral da Silveira, de 11 anos, os sintomas da Covid-19 foram leves, mas não deixaram de ser percebidos.

“Eu não conseguia sentir cheiro de nada, sentia muita dor de cabeça e não tinha ânimo para levantar e comer, ficava só deitada, sentia frio”, lembrou a menina.

A mãe de Maria Eduarda, Fernanda do Amaral, contou que a filha foi a terceira pessoa da família a manifestar os sintomas.

“Logo depois que testou positivo, meu marido começou a ter falta de paladar e ausência de olfato. Uma semana depois eu também comecei a ter sintomas. Tive tosse, febre. Logo depois, minha filha também teve os sintomas”, lembrou.

Mas, apesar de este ser o comportamento mais comum do coronavírus em crianças, Rodrigo Aboudib alertou que o vírus também pode ser fatal para elas.

“Graças a Deus é uma parcela muito pequena da população infantil que desenvolve uma forma sistêmica, inflamatória, que é extremamente grave e demanda tratamento em UTI”, explicou.

Por isso, todos os cuidados devem ser tomados. “A gente continua não saindo de casa, com máscara, pois a gente ainda não conhece o vírus”, disse a mãe de Henrique.

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