Mais de 150 mil pessoas vivem com menos de R$ 143 por mês no Espírito Santo, aponta estudo

Eles fazem parte do grupo que vive na chamada ‘extrema pobreza’. Pesquisa feita pelo Instituto Jones Santos Neves (IJSN) mostra que o estado tem a pior situação da região Sudeste.

Reportagem: Diony Silva, G1 ES e TV Gazeta

Na casa emprestada em Cariacica onde vive a família do Luiz Cláudio Mancini, os planos para o futuro são sempre a curto prazo. Com o pouco dinheiro que recebem através de programas sociais do governo, ele, a esposa e a cinco filhas mal conseguem planejar o que comer no dia seguinte. Apesar de parecer distante para muitos, a realidade difícil que a família enfrenta é a mesma de milhares de capixabas.

Um estudo divulgado este mês pelo Instituto Jones Santos Neves (IJSN) mostra que, em 2018, o percentual de pessoas extremamente pobres no Espírito Santo foi de 4%, o que corresponde a aproximadamente 157 mil pessoas vivendo com menos de R$ 143 por mês.

O estado apresentou um percentual inferior à média do Brasil (6,5%) e superior ao da região Sudeste (3,2%). O levantamento mostra ainda que, de 2012 a 2018, a extrema pobreza no Espírito Santo aumentou 1,4%.

Família vive em extrema pobreza no ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Família vive em extrema pobreza no ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

A esposa de Luiz Claudio, a dona de casa Mônica Aguiar, explica que a família conta com doações de alimentos. Em alguns dias, a refeição é uma mistura de arroz e abobrinha preparada em um fogão, também doado.

Com dificuldade, a família vai se adaptando. “O arroz e o feijão não faltam, mas as coisas para tomar o café de manhã sempre faltam. Aí, a gente improvisa, faz mexido de manhã com comida, elas comem, e assim vai passando”, disse Luiz Cláudio.

Na casa de dois cômodos, desempregado, ele teme a falta de perspectiva de mudança. “Eu acho que eu botei mais de 20 currículos, mas nunca tem resultado. Chega um ponto que você desiste de procurar”, lamentou.

Lá, falta dinheiro para ligar o encanamento à rede de esgoto e a fiação elétrica coloca em risco os moradores. Na hora de dormir, a família se divide em duas camas e em uma espuma fina, colocada no chão.

Se pudesse, Mônica mudaria muitas coisas. “Eu arrumaria a laje, que infiltra toda vez que chove, compraria uma cama para cada uma das minhas filhas, compraria as coisas direito para dentro de casa que, infelizmente, com o passar do tempo, foram se acabando e nós não tivemos condições de repor. Para ter um pouco mais de dignidade, né?”.

Casa onde vive casal e as cinco filhas, em Cariacica — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Casa onde vive casal e as cinco filhas, em Cariacica — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

No município vizinho, em Vila Velha, Neuza vive uma realidade parecida. Sozinha e sem salário fixo, ela está sempre esperando aparecer um bico. “Eu invento as minhas coisinhas, eu costuro, faço salgados”, disse.

Doente e sem ajuda do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não é sempre que sobra dinheiro para os remédios. “Eu sou guerreira, criei meus quatro filhos, eu adoro trabalhar, mas fico triste de não poder estar fazendo nada”, lamentou.

Nessas situações, até o básico parece um luxo. Além da falta de comida e remédios, as pessoas na extrema pobreza não têm acesso à infraestrutura digna para sobrevivência. Nas áreas mais carentes, falta tratamento de esgoto, pavimentação e acesso à saúde de qualidade.

Para o diretor do Instituto Jones Santos Neves, Pablo Lira, a situação se agravou a partir de 2016 e ainda deve levar tempo para se resolver.

“O caminho para a gente diminuir a pobreza e extrema pobreza no nosso país é a integração de políticas públicas que formam a condição do indivíduo alcançar uma renda, fornecendo condições para que ele alcance um trabalho e consiga se emancipar para superar essa linha da pobreza”, disse.

Há tanto tempo vivendo no limite do mínimo, Luiz Cláudio prefere depositar as esperanças em Deus e continuar sonhando com dias melhores para as filhas.

“Eu creio que tudo nessa vida tem um propósito. Talvez, eu posso passar isso, mas creio que minhas filhas lá não frente não vão passar”, disse.

Famílias não têm condições básicas em áreas mais vulneráveis — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Famílias não têm condições básicas em áreas mais vulneráveis — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

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