Maior formulador de política externa dos EUA, Kissinger defende entendimento com a China


Os Estados Unidos terão que chegar a um entendimento com a China sobre uma nova ordem global, caso contrário, o mundo enfrentará risco de conflitos, avalia o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger.

“Se não chegarmos a esse ponto e não chegarmos a um entendimento com a China nesse ponto, então estaremos em uma situação como na pré-Primeira Guerra Mundial na Europa, na qual há conflitos perenes que são resolvidos imediatamente, mas um deles sai fora de controle em algum momento”, disse ele em um evento recente via Zoom, organizado pelo think tank Chatham House, com sede em Londres.

“É infinitamente mais perigoso agora do que era antes”, destacou Kissinger, segundo informações da Xinhua.

“Um conflito entre países que possuem alta tecnologia com armas, que podem ter como alvos eles mesmos e que podem iniciar o conflito por conta própria sem um acordo de algum tipo de contenção não pode acabar bem”, apontou o ex-diplomata dos EUA. “E isso é um eufemismo.”

No início deste mês, Kissinger enfatizou a importância de ter relações cooperativas e positivas entre a China e os Estados Unidos, exigindo esforços ainda mais intensivos para trabalhar em conjunto.

A China de 50 anos atrás, quando ele veio pela primeira vez ao país, é difícil de comparar com a China de hoje, salientou Kissinger ao discursar no Fórum de Desenvolvimento da China 2021 via vídeo.

Falando sobre as atuais relações China-EUA, ele disse que ambas são duas grandes sociedades, com uma cultura diferente e uma história diferente, então elas, por necessidade, às vezes têm uma visão diferente da prática.

“Mas, ao mesmo tempo, a tecnologia moderna, as comunicações globais e a economia global exigem que as duas sociedades iniciem esforços ainda mais intensivos para trabalharem em conjunto, porque a paz e a prosperidade do mundo dependem de um entendimento entre as duas sociedades”, alertou ele.

Autoridades de EUA e China durante reunião em Anchorage, no Alasca, em março

Autoridades de EUA e China durante reunião em Anchorage, no Alasca, em março (Foto: Reuters)

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