Maio teve aumento de 60% no número de enterros na Grande Vitória, diz sindicato

Para o Sindefes, a ocorrência da Covid-19 tem claro impacto nesse aumento. Em Vila Velha, prefeitura contratou vagas em cemitério particular.

Por Roger Santana e Naiara Arpini, G1 ES e TV Gazeta

A pandemia do novo coronavírus já deixou mais de duas mil famílias de luto no Espírito Santo. Para além dos números exibidos no painel Covid-19, do Governo do Estado, a quantidade de sepultamentos reforça a gravidade da doença.

De acordo com o Sindicato das Funerárias do estado (Sindefes), no mês de maio – considerado o auge da pandemia pelo órgão – o número de enterros de vítimas que tiveram morte natural foi 60% maior que a média mensal registrada no ano na Grande Vitória.

Nos dados de morte natural não são consideradas as mortes violentas, causadas por homicídios ou acidentes por exemplo. Para o Sindefes, a ocorrência da Covid-19 tem claro impacto nesse aumento.

“A funerária é a balança mais fiel, ela consegue medir porque tem acesso à declaração de óbito. Antes mesmo de atender, precisamos saber a causa da morte para que o profissional seja paramentado ou não”, explicou o assessor jurídico do sindicato, Handerson Loureiro.

Até esta quinta-feira (16), o Espírito Santo registrou mais de 68 mil infectados e 2.136 mortes pela Covid-19.

Número de enterros aumenta na Grande Vitória durante a pandemia — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Municípios

No município da Serra, o aumento no número de enterros nos seis cemitérios municipais foi de mais de 50%. A comparação é feita entre os primeiros cinco meses de 2019 com o mesmo período de 2020.

De janeiro a maio de 2019, foram 553 enterros, segundo a prefeitura. Já em 2020, foram 861. O balanço de junho ainda está sendo finalizado.

Em Vila Velha, a prefeitura registrou um aumento de 233 sepultamentos em cemitérios municipais entre os meses de março e junho de 2020, se comparado ao mesmo período do ano passado. Do total deste ano, 153 foram de vítimas da Covid.

Com o aumento, os cemitérios públicos já começavam a ficar saturados. Por isso, a Prefeitura de Vila Velha fez um contrato com um cemitério particular, que reservou mil vagas para o município, caso seja preciso.

“Estava começando a faltar espaço. Aí, se precavendo, o município fez um contrato com um cemitério particular para poder estar atendendo as famílias que precisam dessas vagas”, explicou o subsecretário de Serviços Urbanos de Vila Velha, Renzo Mendes.

O município paga R$ 1 mil para cada vaga ocupada. Se todas forem usadas, o gasto final será de R$ 1 milhão.

No cemitério de Maruípe, em Vitória, foram 120 enterros de pessoas que morreram de Covid nos primeiros seis meses do ano. No de Santo Antônio, 45.

Em Cariacica, foram 145 enterros de vítimas da Covid nos primeiros seis meses deste ano com o mesmo período do ano passado.

Sindicato diz que números de enterros foi 60% maior em maio — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Trabalho

Apesar de o volume de trabalho ter aumentado, na maior parte das funerárias não foram contratados novos funcionários. Por isso, os trabalhadores da categoria estão sobrecarregados.

“Houve um aperfeiçoamento da mão de obra, porque é uma mão de obra especializada. Mas posso dizer que há, nesse período da pandemia, uma sobrecarga de trabalho sobre estes trabalhadores, que mais do que nunca tiveram que tomar todas as precauções”, disse Handerson.

As funerárias investiram em equipamentos de proteção contra a doença, como máscara, óculos, avental, luvas e bota, água sanitária e cloro, tudo de acordo com as orientações da Agência de Vigilância Sanitária.

Queda em junho

Ainda de acordo com o Sindicato das Funerárias, os dados coletados já começam a mostrar uma queda no número de enterros de junho.

“A gente coleta dados e nessa coleta a estatística aponta que houve uma queda de 40% dos enterros em relação ao número de maio, sinalizando para as empresas que a mortes por Covid ou suspeita têm caído”, disse Handerson.

‘Velórios frios’

Para evitar aglomerações, os velórios são rápidos ou nem acontecem. Nos sepultamentos, a orientação é manter o distanciamento entre as pessoas. Por isso, os abraços que confortam quem perdeu alguém que ama são mais raros.

“Eu costumo dizer que é uma despedida fria, muito fria, porque o familiar sequer tem acesso ao ente querido que partiu. É uma urna lacrada, fechada, sem poder abraçar os familiares que estão próximos, então acaba sendo uma despedida extremamente fria”, lamentou Handerson.

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