Mãe de menina prensada em carro alegórico no Rio diz que foi atacada nas redes sociais

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Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A manicure Marcela Portelinha, 31, diz que sofreu ataques nas redes sociais logo depois que a filha teve as pernas prensadas por um carro alegórico da escola de samba Em Cima da Hora, no último dia 20 de abril.

A menina foi encaminhada em estado gravíssimo ao hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, mas não resistiu aos ferimentos e morreu dois dias depois.

Marcela afirma que internautas a acusavam de não estar cuidando da menina antes da tragédia. “Falavam que eu não estava com ela, mas eu estava todo o tempo. Só que a gente não consegue prever o que vai acontecer. Eu sempre zelei pelos meus filhos”, diz ela, que é mãe de quatro filhos, incluindo Raquel.

“Essas pessoas não têm coração. Não sabem a dor de perder um filho. Julgar e criticar tem um monte, mas ajudar não tem ninguém.”

Ela conta que no dia do acidente levou a menina a uma praça perto do Sambódromo, onde elas fizeram um lanche.

Pouco depois, Raquel acabou se distanciando e subindo em cima do carro alegórico. Segundo Marcela, um dos irmãos da menina chegou a pedir que ela descesse da alegoria. “Mas ela falou que queria tirar foto para poder postar nas redes sociais.”

A manicure diz que está a base de calmantes desde que a filha morreu e que não tem forças para afazeres cotidianos, como trabalhar.

“A minha ficha ainda não caiu. Eu penso que ela vai voltar. Só sabe quem passa por isso. Eu não consigo fazer nada. Minha irmã é quem está vindo para a minha casa me ajudar. Eu sempre fui pai e mãe dos meus filhos. Estou sentindo muito a morte dela. Foi embora um pedaço de mim.”

De acordo com Marcela, Raquel adorava as redes sociais e queria ser famosa. “O meu menino esses dias, conversando comigo, disse: ‘mãe, acabou que a minha irmã foi famosa nas redes sociais, mas por essa tragédia.’ Então, está sendo muito difícil para a gente.”

Imagens de câmeras de segurança mostram o acidente que matou a menina Raquel. No registro, é possível ver que apenas uma pessoa guiava o reboque que transportava o carro alegórico. No vídeo, o guia aparece bem à frente do veículo.

Essa é uma situação bem diferente da que foi vista pela Folha durante o desfile do grupo especial, que começou na última sexta-feira (22).

Na dispersão, funcionários das escolas de samba escoltavam os carros sob os olhares de PMs e guardas municipais. Após o acidente que matou a menina, a pedido do Ministério Público, a Justiça determinou que todas as escolas do grupo de acesso, especial e mirins fizessem a escolta de seus carros até seus barracões.

Após a menina ser prensada, é possível observar no vídeo uma intensa movimentação de pessoas na lateral da alegoria; alguns pedestres são vistos correndo em direção ao local do acidente.

Marcela diz que, até agora, a escola não entrou em contato nem ofereceu ajuda. “A minha filha não pode cair no esquecimento. Eles precisam pagar pelo que fizeram, sim. Isso não pode ficar impune. Não estou pensando em dinheiro, porque não vai trazer minha filha de volta. Só quero justiça.”

A escola Em Cima da Hora diz que não vai se pronunciar enquanto as investigações não terminarem. A Polícia Civil trata o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

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