Mãe de aluno amarrado em cadeira no Espírito Santo diz que filho está traumatizado; defesa de professor alega que ato foi simbólico

Menino teve o pé esquerdo amarrado à carteira escolar com uma fita adesiva. Professor foi afastado do colégio e responde por um processo administrativo.

Por Anny Cometti, TV Gazeta

A mãe do aluno que foi amarrado à uma cadeira por um professor, em uma escola municipal de Vitória, disse que o filho está traumatizado e não quer voltar a frequentar as aulas. A defesa do professor argumentou que o profissional sofre de depressão e a amarração foi “simbólica”.

Imagens registradas na sala de aula mostram que o menino teve o pé esquerdo amarrado à carteira escolar com uma fita adesiva. O caso aconteceu na última sexta-feira (11), na Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio Eunice Pereira da Silva, no bairro Tabuazeiro.

Aluno foi amarrado em cadeira por professor em Vitória

Aluno foi amarrado em cadeira por professor em Vitória

A mulher de 38 anos contou que ficou sabendo do ocorrido quando assistiu vídeos que circulavam nas redes sociais. A coordenadora do Conselho Tutelar da Região de Maruípe, Rosenita Pereira, no entanto, disse que o pai da criança teve conhecimento do caso ao buscar o filho na escola.

“Meu filho relata, e não é de agora, que o professor grita com ele. Ele relata que levantou da cadeira e o professor gritou que se ele não sentasse ia amarrar ele, mas quando ele sentou o professor passou a fita no pé dele”, contou a mãe.

Após os vídeos se espalharem na internet, a mãe disse que o filho está traumatizado e não quer voltar para a escola.

“Ele tem déficit de atenção comprovado e tem um ano que ele não toma medicação por causa da pandemia. É um menino exemplar, maravilhoso e amoroso. Meu filho está traumatizado, não quer ir para a escola, não quer ver o professor.”

Nessa segunda-feira (14), o pai do estudante esteve na escola para conversar sobre o ocorrido. Segundo a família, ele conversou com a diretora e com o professor, que pediu desculpas e garantiu que daria um tratamento melhor ao menino. O profissional foi afastado do cargo e responde a um processo administrativo.

O Conselho Tutelar informou que fez um encaminhamento para que o estudante receba uma consulta psiquiátrica, para que a hiperatividade seja diagnosticada e tratada.

O advogado de defesa do professor, Ugo Fleming, disse que o ato do professor foi “simbólico” e que não houve violência.

“Ele falou que não amarrou ele a força. Ele disse que pediu para o menino sentar, pegou a fita de forma simbólica, passou no pé do menino. Na foto eu vejo que cabe uma mão atrás do calcanhar do menino e vejo que tem uma pontinha da fita crepe saindo. Facilmente o próprio garoto poderia ter tirado a fita crepe”, sustentou o advogado.

Fleming informou que o professor sofre de depressão e tinha pedido afastamento do cargo para a Prefeitura de Vitória, mas foi negado.

O profissional é professor há 14 anos. Segundo a prefeitura, não há outros registros de episódios semelhantes o envolvendo.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação garantiu que uma equipe técnica esteve no colégio para apurar a denúncia e que “um processo administrativo disciplinar está sendo aberto para investigar o fato”.

A secretaria ainda afirmou que “se solidariza com o estudante e a família” e que “repudia qualquer forma de violência”. O professor foi afastado das funções.

A prefeitura também enviou um ofício à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para a investigação. O ofício chegou, mas o caso ainda está no início das apurações na esfera criminal, segundo informou o delegado Diego Aleluia.

Escola onde criança foi amarrada em cadeira em Vitória — Foto: Diony Silva/ TV Gazeta

Escola onde criança foi amarrada em cadeira em Vitória — Foto: Diony Silva/ TV Gazeta