Live ‘Somos todas Margaridas’ encerra programação alusiva aos 15 anos da Lei Maria da Penha

Encerrando a campanha Agosto Lilás, alusiva à Lei Maria da Penha, que completou 15 anos no dia 07 de agosto de 2021, a Secretaria de Direitos Humanos (SEDH), por meio da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres (SUBPM), promoveu a live “Somos todas Margaridas: O protagonismo das trabalhadoras rurais no enfrentamento às violências”, nessa terça-feira (31), na página da SEDH no Facebook.

Para falar sobre esse tema, a live contou com a participação da professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ana Cláudia Hebling Meira, e da secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Espírito Santo (Fetaes), Augusta Buffolo.

Além das convidadas, o painel virtual contou com a presença da secretária de Estado de Direitos Humanos, Nara Borgo; da subsecretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Juliane Barroso; e da integrante de Políticas para as Mulheres, Milena Paraíso. A mediadora foi a agente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Alessandra Maia da Silva.

“Recentemente, uma pessoa veio falar comigo que hoje em dia não precisamos falar mais sobre o que é a Lei Maria da Penha, quais as categorias de violência e como denunciar, porque todas as mulheres têm conhecimento. Discordei e disse que quando pensamos naquelas que estão mais distantes da região Metropolitana, elas não têm os mesmos acessos que nós. Ainda é preciso, sim, se fazer compreender o que é violência e todo esse suporte é necessário. Ainda não passamos da primeira fase. Muito importante a realização da live sobre as trabalhadoras do campo, infelizmente nem todas têm essas informações e ainda não chegamos no segundo passo”, pontuou a secretária Nara Borgo.

Iniciando as palestras, a secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Fetaes, Augusta Buffolo, falou sobre o trabalho da mulher no campo.

“No campo, em se tratando da agricultura familiar, ainda encontramos a mulher agricultora encolhida diante do pai, dos irmãos, do marido, do homem dirigente sindical e do homem presidente da cooperativa. Ela ainda não é agente da sua própria vida. Vivemos ainda em sua estrutura tradicional arcaica, que reproduz uma lógica opressão. Infelizmente, existe essa cultura do patriarcado, da dominação e da figura voltada para o homem, e essa realidade é muito presente na agricultura familiar. A violência sexista está em todos os lugares do campo”, argumentou Augusta Buffolo.

Durante o painel virtual, a professora da Ufes, Ana Cláudia Hebling Meira, destacou o trabalho feito no Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres no município de Alegre, onde reside.

“Desde janeiro de 2021, instalamos no município de Alegre um Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres. Sou a conselheira representante da Ufes e este é mais um espaço que estamos atuando em defesa dos direitos e auxiliando em implantações de políticas públicas para as mulheres do sul do Estado, que é muito carente nesse sentido. Quero deixar registrada essa importante conquista das mulheres em Alegre. Na região do sul existiam outros conselhos, mas que foram inativados ao longo dos anos e não estão funcionando. No momento, o mais atuante é o nosso, criado há pouco tempo, nesse meio tão difícil de organizar espaços na sociedade civil e das mulheres no espaço político de posição. Isso demonstra muito a nossa resistência. Em Alegre, nós resistimos, persistimos e insistimos”, destacou Ana Cláudia Hebling Meira.

 

Texto: Thalisson Bandeira.