Litoral do Espírito Santo se transforma em berçário de baleias jubarte

Em águas capixabas, baleias jubarte e seus filhotes nadam juntos, dando um show de harmonia. Assim como em todos os anos, isso acontece porque a espécie sai da Antártica à procura de águas mais quentes para a reprodução. Tanto o acasalamento quanto o nascimento dos filhotes acontece no litoral brasileiro, contribuindo para que o Espírito Santo funcione como uma espécie de berçário para os pequenos gigantes e seja palco para um espetáculo da natureza. A reportagem é de Roger Santana, do G1 ES.

Por causa desse ciclo de reprodução, pode-se dizer que as jubarte são brasileiras. De julho a novembro, mais de 20 mil passam por aqui e cerca de mil filhotes nascem em águas capixabas.

Por isso, é comum que pesquisadores do Espírito Santo presenciem fêmea e filhote nadando lado a lado. É assim que a mãe ensina os primeiros movimentos, a forma segura de nadar e de dar os primeiros saltos.

Jubarte nada ao lado do filhote no litoral do ES — Foto: Fabrício Faria Lima
Jubarte nada ao lado do filhote no litoral do ES — Foto: Fabrício Faria Lima

No mar, eles tentam repetir os movimentos, ainda que desajeitados. Essa aproximação pode ser comparada ao colo que a mãe dá para um filho.

“A mãe tem um cuidado bem próximo do filhote. Às vezes, ele se aproxima da embarcação, mas ela tenta mantê-lo distante. É um comportamento protetivo. E a gente também observa que é um momento de amamentação. É o único da espécie que se alimenta aqui, o filhote”, explicou o oceanógrafo Paulo Rodrigues.

A concentração de jubarte é maior no extremo Sul da Bahia e no Norte do Espírito Santo, na plataforma de Abrolhos. Mas, aos poucos, elas estão retomando seu espaço.

Já há aparição das jubarte desde o Rio Grande do Norte até o litoral de São Paulo. Nas últimas décadas, a população aumentou 10% a cada ano.

“A gente teve uma história de crescimento da população após o período de caça. Existiam menos de mil baleias, essa população se recuperou. A cada ano, foi ficando maior o número de encalhes, muito devido à recuperação da população”, disse Rodrigues.

Baleias jubarte procuram as águas mais quentes do litoral brasileiro para a reprodução — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Baleias jubarte procuram as águas mais quentes do litoral brasileiro para a reprodução — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Além disso, a pandemia e, consequentemente, a queda na movimentação das embarcações, também têm contribuído com a preservação da espécie.

“Em relação à pandemia, tivemos redução das embarcações, então os ambientes estão mais propícios, mais saudáveis, com menos ruídos, um ambiente mais harmonioso”, explicou o oceanógrafo.

Jubarte dando salto no litoral do ES — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Jubarte dando salto no litoral do ES — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Agora, os estudos também se voltam para o motivo dos encalhes, já que preservar a vida das baleias garante o equilíbrio ecológico no oceano e a manutenção do ciclo de reprodução da espécie.

Este ano, 48 jubarte encalharam nas praias brasileiras. A maioria dos encalhes é de filhotes, que às vezes nascem fracos ou doentes. Entretanto, há outras causas, conforme explica o especialista.

“Podem ser causados pela rede de pesca, pelo atropelamento. A gente sempre estuda isso, e os estudos podem indicar a causa e a gente atua para reduzir essas ameaças”, disse Rodrigues.

De acordo com o Projeto Baleia Jubarte, este ano já foram 15 encalhes no nosso litoral, é o maior número do país. Seguido do litoral baiano, com 13 encalhes.

Caso alguém encontre algum animal encalhado, entre em contato com o projeto ou com a Secretaria de Meio Ambiente do município.

Filhote aprende a nadar de forma segura ao lado da mãe — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Filhote aprende a nadar de forma segura ao lado da mãe — Foto: Reprodução/TV Gazeta


Leia mais

Leia também