Levantamento sobre educação na pandemia aponta desigualdade entre as redes municipais de ensino

Pesquisa da Undime sobre Volta às Aulas aponta desigualdade no acesso a tecnologias entre as redes municipais de educação. Segundo o levantamento, 91,9% das redes respondentes completou o ano letivo de 2020 com atividades não presenciais. No entanto, dentre os recursos utilizados, os aplicativos especializados e as plataformas pedagógicas estão mais presentes em municípios maiores.

Lara Félix de Faria, de 15 anos, é aluna da rede municipal de ensino de Arceburgo – cidade mineira com cerca de 10 mil habitantes. A estudante conta que durante o ano de 2020 – no qual cursou o 9º ano do ensino fundamental – a escola distribuiu atividades em material impresso e as orientações eram passadas pelo WhatsApp. 

A jovem diz que se sente prejudicada com o modelo. “Apesar do esforço dos professores para nos ajudar, acredito que tenha sido prejudicial, já que nada é capaz de substituir aulas presenciais. Até mesmo se tivesse tido aulas online, como acontece em outras escolas, acho teria sido mais proveitoso”, comenta.

Já Kelly da Silva Almeida foi aluna da rede municipal de ensino de Ribeirão Preto, cidade do interior paulista com mais de 700 mil habitantes. Durante o ano letivo de 2020, ela contou com atividades enviadas por uma plataforma online.

Segundo a professora da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Comitê-DF da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, Catarina de Almeida Santos, é a capacidade arrecadatória dos municípios que gera a desigualdade entre as redes de educação.

“A maioria dos municípios menores tem menos poder de arrecadação. Alguns têm poder muito baixo e sobrevivem das transferências dos estados e da União. Se a população é mais pobre, a arrecadação é menor ainda”, explica.

Arte - Brasil 61

Além disso, 93,5% das redes municipais já concluíram ou estão em processo de discussão dos protocolos de segurança. No entanto, entre os municípios com até 10 mil habitantes, apenas 30,3% das redes concluíram o processo; enquanto que em cidade com mais de 100 mil habitantes, o percentual sobe para 63,3%.

A professora da UnB, Catarina de Almeida Santos, lembra que os municípios de maior porte possuem escolas tanto na rede municipal quanto estadual, o que cria uma pressão para que as unidades sigam o mesmo calendário de retorno das aulas. 

“Nos municípios menores, quase não tem escola estadual. Então tem menos pressão para o gestor retornar com o calendário da Secretaria Estadual. Além disso, eles têm menos condições de oferecer segurança”, explica.

Ítalo Dutra, chefe de Educação do UNICEF no Brasil, reforça a importância de envolver a comunidade escolar nesse processo de construção dos protocolos de segurança sanitária.

“É fundamental seguir todos os protocolos de prevenção da Covid-19, como uso de máscara, higienização das mãos, distanciamento social – tanto dentro da escola, quanto fora dela. E obviamente, é imprescindível envolver professores e demais profissionais da educação, estudantes, seus familiares e a comunidade escolar como um todo, no processo de construção das condições para reabertura segura das escolas”, afirma.

A pesquisa completa está disponível no link.

Aula Online - Foto: Secretaria de Educação do Mato Grosso

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