‘Laranja’ que atuava em esquema de lavagem de dinheiro no Espírito Santo é preso

Um homem apontado como “laranja” no esquema de lavagem de dinheiro montado por uma organização criminosa sediada no Espírito Santo foi preso na quinta-feira (17). O grupo foi alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Civil na terça-feira (15), que cumpriu mandados em quatro estados. Na ocasião, três pessoas foram presas no Espírito Santo.

De acordo com as investigações, a quadrilha agia como uma “prestadora de serviços” de lavagem de dinheiro para outras organizações criminosas e movimentou mais de R$ 800 milhões em um ano e meio.

O homem preso nesta quinta-feira assumiu para a polícia que concordou com a abertura de uma empresa fictícia e de uma conta bancária usando uma identidade falsa.

Para isso, ele recebia pagamentos mensais feitos por outros integrantes da organização criminosa. O investigado foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana (CTV).

Durante a operação, que aconteceu simultaneamente no Espírito Santo e em São Paulo, Ceará e Alagoas, dez pessoas foram apreendidas nesses quatro estados.

A polícia fez buscas em marinas, lojas de veículos e residências que pertenciam aos investigados. Foram apreendidos carros de luxo, motos aquáticas e embarcações.

De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o material apreendido, que se encontra lacrado, está em análise.

Os altos valores em dinheiro envolvidos, US$ 630 mil e R$ 230 mil, serão depositados em contas judiciais e ficarão à disposição do juízo para depois, na formação da culpa, ter uma destinação específica.

Segundo as investigações, o grupo criminoso atuava de forma estruturada com a finalidade de praticar diversos crimes, como lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e particulares, inserção de dados falsos em sistemas informatizados, falsidade ideológica, estelionato e falsa comunicação de crime.

A investigação conduzida pela Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos do Espírito Santo (DFRV/DEIC) começou com um registro de roubo de caminhão.

Durante a apuração a polícia descobriu que o veículo não existia e era, na verdade, usado por empresa de fachada. Ela tinha ligação com outras empresas que também não existiam e agiam como “prestadoras de serviços” de lavagem de capitais para outras organizações criminosas.

A organização tinha, inclusive, ligação com empresas e pessoas investigadas e denunciadas no âmbito de diversas fases da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal. Entre elas, a Operação Chorume e a Operação Descarte, bem como empresas que já foram investigadas por atuarem com os doleiros Alberto Youssef e Nelma Kodama, além de uma empresa investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por desvios de mais de R$ 98 milhões em ICMS.

Os beneficiários da lavagem, ou seja, os “clientes” da organização, tinham os valores remetidos para contas de empresas na China e Estados Unidos.

 

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