Justiça do Espírito Santo dá 48h para que sindicato se manifeste sobre greve de motoristas de caminhão de lixo

Sindicato patronal acusa a categoria de não cumprir a liminar que determina a manutenção de 70% do serviço durante a paralisação e diz que 4 mil toneladas de lixo já se acumularam na Grande Vitória em dois dias.

 

A Justiça intimou o Sindicato dos Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviários-ES) para que se manifeste em até 48 horas sobre a acusação de que a categoria não está cumprindo a decisão judicial de manter 70% do serviço de coleta de lixo funcionando durante a greve dos motoristas dos caminhões de limpeza pública.

O serviço de coleta de lixo urbano está interrompido desde esta segunda-feira (23) em alguns municípios do Estado, incluindo a Grande Vitória.

Os motoristas de caminhão cruzaram os braços porque querem a manutenção da data-base, o reajuste do salário e dos benefícios pagos pelas empresas.

Na petição, o Sindicato das Empresas de Limpeza Pública Urbana do Espírito Santo (Selures) pede uso de força policial para garantir que os motoristas voltem ao trabalho.

A Justiça estabeleceu o prazo para que o Sindirodoviários se manifeste e alertou que a conduta, se comprovada, caracteriza crime e pode implicar o pagamento de multa por parte dos dirigentes.

De acordo o Sindirodoviários, todas as liminares estão sendo devidamente cumpridas e o sindicato irá se manifestar dentro do prazo estabelecido pelas decisões e comprovar o devido cumprimento das ordens judiciais.

O reflexo da paralisação é o acúmulo de lixo em vários pontos das cidades afetadas. De acordo com o Selures, só nesta segunda (24) e terça-feira (25) já se acumularam aproximadamente 4 mil toneladas de lixo na Grande Vitória.

Segundo a decisão, a greve atinge os municípios da Região Metropolitana de Vitória, além de Afonso Cláudio, Aracruz, Baixo Guandu, Brejetuba, Colatina, Fundão, Ibiraçu, Itaguaçu, Itarana, João Neiva, Laranja da Terra, Santa Leopoldina, Santa Maria do Jetibá, Santa Teresa e São Roque do Canaã.

De acordo com o sindicato dos trabalhadores, a negociação salarial acontece no início de cada ano.

No entanto, por causa da pandemia do novo coronavírus, o Sindicato das Empresas de Limpeza Pública Urbana do Espírito Santo (Selures) teria prorrogado a convenção coletiva que vencia no final de abril e voltou a negociar o reajuste da categoria em setembro.

O Selures informou que, desde setembro, aconteceram tentativas extrajudiciais e três reuniões de conciliação mediadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas todas as propostas foram rejeitadas pelos trabalhadores.

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