Justiça autoriza soltura de PM acusado de matar homem durante abordagem no Espírito Santo

Por decisão da Justiça, o policial militar que foi preso acusado de matar um homem durante uma abordagem no bairro Central Carapina, na Serra, na Grande Vitória, poderá sair da prisão e responder ao processo em liberdade.

A suspensão da prisão preventiva de Francisco Erlan Borges de Jesus foi autorizada pela juíza Daniela Pellegrino de Freitas Nemer, da 3ª Vara Criminal da Serra, nesta quarta-feira (2).

Ao conceder o alvará de soltura, a juíza avaliou que não há indícios de que o policial possa prejudicar o andamento do processo e a ordem pública caso seja solto.

Everton dos Santos Silva, de 28 anos, morreu na última sexta-feira (28) após ser atingido por um tiro na nuca disparado pelo policial militar. Moradores de Central Carapina e a PM contam versões diferentes sobre o caso.

Everton foi morto em Central Carapina, na Serra — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Everton foi morto em Central Carapina, na Serra — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Segundo a corporação, Everton foi abordado porque estava em uma moto sem capacete.

“O policial emitiu a ordem de parada e ele não obedeceu. Ele foi de moto para cima do policial, que não teve outra escolha a não ser efetuar o disparo, que atingiu na cabeça”, disse o major Fahning, subcomandante do 6º Batalhão da PM.

Já familiares da vítima e moradores do bairro reclamam da ação do policial. Segundo eles, o rapaz não ofereceu perigo ao militar, mas mesmo assim foi atingido de forma letal.

“Ele é um rapaz super trabalhador. Eu conheço o Everton desde pequeno. Ele estava passando na rua e tem uma base da polícia militar na praça. Ele não tem Carteira de Habilitação, ele foi abordado e passou por trás do policial. O policial sacou a arma, colocou na nuca dele e puxou o gatilho”, contou o líder comunitário e patrão da vítima, Jefferson Barbosa.

No mesmo dia da morte de Everton, moradores fizeram protestos e entraram em confronto com a Polícia Militar, que os reprimiu com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

O militar foi autuado por homicídio e levado para o quartel da PM, em Maruípe, Vitória. A corporação também informou desde a semana passada que, além de responder criminalmente pelo caso, o militar também terá a conduta investigada em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Ao emitir o alvará de soltura, a juíza determinou que medidas cautelares sejam cumpridas, como a atualização do comprovante de residência do policial, a proibição de que ele mantenha qualquer contato com testemunhas do crime e o comparecimento dele a todos os atos processuais relativos ao caso.

Após a decisão judicial, a PM foi procurada para informar se o policial já está em liberdade e se o PAD contra ele já foi aberto.