Julgamento dos acusados da morte da médica Milena Gottardi chega ao 5º dia no Espírito Santo

O julgamento do caso Milena Gottardi chegou ao quinto dia, no Fórum Criminal de Vitória, nesta sexta-feira (27). As informações são da TV Gazeta.

O Tribunal do Júri é presidido pelo juiz Marcos Pereira Sanches. O processo do caso já possui mais de 15 volumes e a previsão é de que o julgamento dure toda a semana.

Dos sete jurados, quatro são mulheres e três são homens.

A médica Milena Gottardi foi baleada na cabeça e morta no dia 14 de setembro de 2017, quando saía do hospital em que trabalhava, em Vitória, aos 38 anos.

As investigações apontaram que o ex-marido de Milena, o então policial civil Hilário Frasson, foi o mandante do crime, junto com o pai dele. Segundo a denúncia do Ministério Público, o fim do casamento não foi aceito por Hilário. Os réus negam envolvimento no crime.

De acordo com a acusação, pai e filho teriam contratado dois intermediários para encontrar um atirador. O atirador teria encomendado ao cunhado o roubo de uma moto para ser usada no dia do crime. Todos os seis réus estão presos.

Ex-policial civil Hilário Frasson, ex-marido da vítima e um dos réus, chegando para o segundo dia de julgamento — Foto: Ricardo Medeiros/Rede Gazeta

Ex-policial civil Hilário Frasson, ex-marido da vítima e um dos réus, chegando para o segundo dia de julgamento — Foto: Ricardo Medeiros/Rede Gazeta

Seis réu do caso Milena Gottardi

Seis réu do caso Milena Gottardi

  • Hilário Frasson

Ex-marido de Milena Gottardi. É apontado como o mandante do crime. Foi preso no dia 21 de setembro de 2017.

  • Esperidião Frasson

Pai de Hilário e sogro de Milena. É acusado de ser o mandante do crime, junto com o filho. Foi preso no dia 21 de setembro de 2017.

  • Valcir da Silva

Acusado de ser intermediário do crime. Conhecia Hilário, porque havia estudado com ele. Valcir afirmou em depoimento que dois meses antes do crime recebeu uma ligação de Hilário pedindo ajuda para matar Milena. Foi preso no dia 21 de setembro de 2017.

  • Ermenegildo Palauro Filho

Junto com Valcir, é apontado como intermediário do crime. Conhecia Hilário e Esperidião há mais de 30 anos. Foi preso no dia 25 de setembro de 2017.

  • Dionathas Alves Vieira

Apontado como atirador de Milena. Foi contratado por Valcir e Ermenegildo para realizar o crime. Em depoimento, Dionathas disse que receberia R$ 2 mil para matar a médica. Foi preso no dia 16 de setembro de 2017.

  • Bruno Rodrigues

Cunhado de Dionathas. Acusado de roubar a moto que foi usada no crime. Foi preso no dia 16 de setembro de 2017.

A defesa de Hilário disse que ele “amava e ama a Milena até hoje”. “As maiores dores na vida dele são a perda da Milena e do relacionamento com as filhas”, diz parte da nota da defesa.

“Tivemos acesso a várias provas que comprovam que Milena e Hilário formavam um casal como qualquer outro. No entanto a acusação insiste em divulgar elementos que induzem a um pensamento específico, o de que a relação era composta somente por entreveros. A acusação expõe somente informações sobre as brigas dos dois. Como em qualquer outra relação, havia divergências de opiniões e discussões. No entanto, como podemos verificar, também havia amor e companheirismo entre os dois”, relatou o advogado de Hilário, Rodrigo Bandeira de Mello.

Ainda de acordo com a defesa do ex-policial, Hilário está sofrendo alienação parental e o maior objetivo da vida dele é restaurar o relacionamento com as filhas.

“Respeitamos muito a dor da família da Milena e nos solidarizamos muito com ela. Esse fato é uma grande tragédia na vida de todos”, diz outro trecho da nota divulgada pela defesa.

Sobre a carta escrita por Milena em que ela revelou medo do então marido, a defesa disse que a médica escreveu a carta e a reconheceu em cartório no dia 5 de abril de 2017. De acordo com um e-mail usado como prova pela defesa, também registrado em cartório, Milena afirma que o conteúdo da carta não era verdadeiro.

“Ela própria escreveu que foi induzida a entrar com uma ação contra o Hilário. É notória a existência de uma sincronia entre as duas provas, a qual confirma o ato de arrependimento de Milena. Há a questão temporal, uma ação foi realizada em seguida da outra”, diz a defesa.

“Há dois anos, foi feita uma ata notarial para comprovar que a mensagem foi retirada do e-mail do Hilário, para onde foi enviada por Milena. Lembrando que ele foi preso semanas após o crime e não tem acesso à internet. Ele me forneceu a senha e me autorizou a entrar em sua nuvem, onde está o e-mail”, informou Leonardo Gagno, também advogado do réu.

A reportagem busca contato com as defesas dos outros réus.

Médica Milena Gottardi, assassinada em 2017

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