Jovem ferido em praia: prontuário indica uso de fentanil, droga 50 vezes mais forte que heroína

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Estudante foi encontrado com a barriga cortada e parte do intestino para fora em uma praia de Guarapari (ES). Polícia investiga o caso. Advogado da família do jovem diz que ele e a namorada foram atacados, feridos e roubados por terceiros.

Por Amaro Mota, Aurélio de Freitas e Marcela Antônio, g1 ES e TV Gazeta

Jovem segue internado em um hospital particular

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O prontuário médico do jovem encontrado com um corte na barriga na Praia do Ermitão, em Guarapari (ES) mostra vestígios de dosagem alta de fentanil no sangue dele. A substância é 50 vezes mais potente que a heroína e 30 vezes mais forte que a morfina.

O g1 e a TV Gazeta tiveram acesso ao documento com exclusividade.

Ele chegou ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, no dia 16 de janeiro. O jovem tinha trauma abdominal e fraturas no nariz e no rosto. Mas um detalhe chamou a atenção, o médico responsável identificou vestígios de dosagem alta de fentanil no sangue. Uma droga de uso controlado.

A namorada da vítima, que estava com ele na praia, admitiu em depoimento à polícia que eles “apagaram” após uso de droga.

“Pode gerar uma sedação, possa mesmo uma euforia seguida de relaxamento muscular intenso. Numa única dose ela pode matar”, contou a psiquiatra Carolina Coser, sobre a substância.

Prontuário indica uso de fentanil, droga 50 vezes mais forte que heroína

Prontuário indica uso de fentanil, droga 50 vezes mais forte que heroína

O jovem mesmo havia admitido à equipe médica o uso de droga, de acordo com o prontuário, mas nao afirmou se era o fentanil ou não.

Um perito da Polícia Federal afirmou que a droga é muito utilizada no controle da dor extrema.

“Alguns ambientes cirúrgico hospitalares é utilizado fentanil. Normalmente, nessa modalidade, ele é utilizado como injetável e controlado pelo médico anestesista que vai controlar ali a dose para a pessoa passar pelo procedimento cirúrgico. Mas também ele é utilizado como um patch, um adesivo para distribuição de longa duração para pessoas que tem dor crônica. Então a pessoa cola o adesivo ali e vai liberando devagarzinho a substância na pele para controle de dor prolongada que as pessoas tenham e que não passam com outros tipos de analgésicos”, explicou André Bittencourt dos Santos, perito da PF.

Mochila, cacos de vidro e pedaços de órgão foram achados na praia

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A droga é pouco usada no Brasil. A médica explicou ainda que o fentanil pode viciar em apenas um uso.

“Essa droga ela é da classe dos opioides, semelhantes à morfina e à heroína. Porém ele é de 50 à 100 vezes mais potente, a ação dela analgésica”, disse.

Segundo especialistas dos Estados Unidos, onde é muito utilizado, o fentanil é encontrado em forma injetável e também em selos, como o LSD, e causa uma alta sensação de dormência e tranquilidade, mas uma pequena dose pode ser suficiente para colocar o usuário em coma e até levar a morte.

“O fentanil em alta dosagem ele causa um efeito de diminuição do ritmo respiratório nas pessoas. Inclusive, doses altas de fentanil tem que ser acompanhadas por um médico anestesista do ponto de vista de assistência respiratório, precisa de um respirador mecânico pra continuar ali e, se a dose for alta suficiente, ele pode ter uma bradicardia, que é diminuição do ritmo cardíaco, ele vai adormecendo e o corpo vai desligando, vamos assim dizer. Então a pessoa vai desligando e pode ir à coma e também à morte por conta disso”, contou o perito.

O advogado que representa o casal, Lécio Machado, informou que o jovem permanece internado se recuperando das lesões. Em relação aos demais pontos, incluindo as informações do prontuário médico, ele disse que a família prefere não se manifestar sobre o assunto, aguardando a conclusão do inquérito da Polícia Civil.

O prontuário médico do jovem traz mais duvidas do que respostas. A Polícia Civil ainda tenta entender o que aconteceu e de quem partiu o ataque que fez com que o estudante ficasse com parte do intestino para fora. A polícia não divulgou detalhes sobre a investigações.

O advogado das famílias dos jovens disse que eles foram à praia afastada para comemorar uma viagem de estudos que o estudante faria e lá foram atacados, feridos e roubados por terceiros.

Imagens que estão com a polícia mostram o jovem e a namorada caminhando para a Praia do Ermitão durante a noite do dia 15 e depois, já na manhã de 16 de janeiro, o jovem já ferido sendo resgatado.

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