Investidores levam em conta adoção de critérios ESG por empresas na hora de decidir onde investir

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Uma pesquisa revelou que 77% das empresas já haviam escutado sobre ESG (sigla, em inglês, para Ambiental, Social e Governança) antes da consulta; que 49% das indústrias têm o conceito integrado à sua estratégia; e 32% estão se planejando para incorporá-lo. O estudo foi divulgado durante seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira (8).

A pesquisa foi feita com cem indústrias brasileiras para verificar como está a incorporação dos critérios ESG por essas empresas. Ao serem questionadas sobre quem mais influencia a integração ESG pela empresa, as indústrias elegeram o mercado consumidor, com 71,6%. “É o público que está norteando a inclusão da proposta de ESG na estratégia de negócio”, afirmou Mônica Messenberg, diretora de Relações Institucionais da CNI. O conselho de administração e os acionistas vieram em seguida. Entre os principais desafios percebidos por essas indústrias para a adoção dos critérios ESG está a carência de recursos humanos. 

Para especialistas, a incorporação de critérios ESG  pelas empresas pesa cada vez mais na injeção de investimentos do mercado financeiro no setor produtivo. O assunto foi debatido no seminário, além de como os pequenos e médios negócios podem contribuir para que as cadeias produtivas sejam mais sustentáveis. 

A iniciativa da CNI celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no último domingo (5). Na abertura do evento, o vice-presidente executivo da CNI, Glauco José Côrte, destacou que o conceito ESG ganhou espaço na mídia e no mundo empresarial nos últimos três anos. Segundo ele, a pandemia mostrou que a retomada do crescimento deve estar aliada a princípios sustentáveis. 

“Os desafios relacionados à sustentabilidade têm exigido cada vez mais responsabilidade e transparência na forma como as empresas interagem com o meio ambiente, se relacionam com seus stakeholders e nas estratégias de gestão adotadas. Isso tem impactado diretamente as avaliações de riscos e decisões de investimentos do mercado financeiro, demandando um reposicionamento das lideranças empresariais”, afirmou. 

Clovis Zapata, representante adjunto da Organização das Nações Unidas (ONU) para o desenvolvimento industrial no Brasil, destacou que a indústria, conforme o nono objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS), é um pilar para o desenvolvimento econômico. 

“A indústria é uma das alavancas para o desenvolvimento da sociedade como um todo. A indústria brasileira tem um potencial enorme para ser protagonista no uso eficiente de recursos naturais, visando a inserção na economia de baixo carbono e aumentando a participação nas cadeias globais de valor, com mais produtividade, mais eficiência na utilização dos recursos escassos e gerando emprego e renda”, disse. 

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ESG e a indústria brasileira

Carlos Takahashi, vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) destacou que, por causa das mudanças climáticas, os investidores estão mais conscientes e criteriosos na hora de aportar recursos. “Já em 2020 havia dados que mostravam que, do lado dos investidores, havia uma procura muito maior por investimentos sustentáveis, ou seja, os investidores continuavam buscando retorno, mas queriam que isso viesse de boas práticas ambientais, sociais e, obviamente, de uma boa governança”, disse. 

Beatriz Stuart Secaf, gerente de Sustentabilidade da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), disse que o debate em torno da responsabilidade dos agentes financeiros no fomento a iniciativas que levam em conta os critérios ESG amadureceu, entre outras coisas, por “evidências científicas” e “um maior senso de urgência”. 

“Para viabilizar essa transição, as próprias instituições financeiras já reconhecem o seu papel e responsabilidade em financiar essas atividades que tenham impacto positivo na sociedade”, avalia. 

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Fernando Pimentel, destacou a importância das empresas de grande porte nesse processo. “A aceleração desse movimento passa muito pelo encadeamento produtivo, onde as empresas de maior porte, com maior capacidade de investimento, com equipes mais montadas e estruturadas, e as práticas que elas adotam podem por efeito cascata ir chegando nas menores”, pontua. 

Renato Perlingeiro Salles Junior, analista da Unidade de Competitividade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional), reforçou que as micro e pequenas empresas podem encarar a agenda sustentável como uma oportunidade. “É uma oportunidade para o pequeno empresário melhorar a eficiência do seu negócio, identificar as oportunidades de se posicionar para acessar mercados mais exigentes, desenvolver novas tecnologias e se diferenciar para o consumidor do futuro”, orienta. 

Foto: ShutterstcokFoto: Shutterstcok

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