Inquérito escolar da Sesa aponta que 11% dos estudantes tiveram Covid-19 no Espírito Santo

Resultado da primeira etapa do levantamento foi divulgada nesta segunda-feira (21). Os testes foram realizados em outubro, no mês que as escolas foram autorizadas a reabrir.

Por Luiza Marcondes e Naiara Arpini, G1 ES

Secretaria de Saúde divulga resultado de inquérito sorológico escolar no ES — Foto: Divulgação/ Sesa

Secretaria de Saúde divulga resultado de inquérito sorológico escolar no ES — Foto: Divulgação/ Sesa

A Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo (Sesa-ES) divulgou nesta segunda-feira (21) o resultado da primeira etapa do inquérito escolar, que avaliou a prevalência da Covid-19 entre alunos e trabalhadores. A investigação, realizada em outubro, indicou que 11,1% dos estudantes e 7,8% dos profissionais da educação tinham anticorpos contra o vírus.

Os testes foram feitos com uma amostra de estudantes, professores e outros profissionais (administrativo, serviços gerais etc) de 86 escolas sorteadas (de ensino fundamental e médio, das redes municipais, estaduais e particulares) de 13 municípios do estado. Foram testados, aproximadamente, 3.400 professores, 2.300 funcionários e 5.065 alunos.

Inquérito sorológico escolar começa no ES — Foto: Divulgação/ Sesa

Inquérito sorológico escolar começa no ES — Foto: Divulgação/ Sesa

O gerente Estadual de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, explicou que o inquérito foi usado como uma estratégia do governo para entender a expansão da Covid-19 no ambiente escolar e ajudar na elaboração de protocolos.

O inquérito foi feito em outubro, mês em que foi autorizada a reabertura das escolas, quando a maior parte delas ainda estava fechada. Segundo os representantes da Sesa, o teste revela apenas a existência de anticorpos. Para que a pessoa possua esses anticorpos, é necessário que o testado tenha sido infectado pelo vírus pelo menos 15 dias antes do exame.

“O testado fica positivo em torno de 14 a 15 dias depois que teve contato com o vírus. Então, é um teste que reflete o passado. Isso não é um reflexo do pós-abertura de escolas. Isso refletiu o passado, enquanto ainda as escolas não estavam abertas”, explicou a médica infectologista da Subsecretaria de Estado de Vigilância em Saúde Cristiana Costa Gomes.

A médica ainda informou que o teste é feito com a coleta do sangue venoso, que minimiza falso-positivos e detecta a presença de anticorpos do vírus nos participantes. No entanto, não é possível afirmar que os resultados positivos estão imunes ao vírus.

“Os resultados da pesquisa de soroprevalência não devem ser interpretados como significando que as pessoas positivas para anticorpos estão imunes. Ainda estão construindo-se evidências sobre a duração e papel dos anticorpos. O resultado positivo não é um passaporte de imunidade”, alertou Cristiana.

O inquérito, que tem margem de erro de 1,8%, revelou que, estatisticamente, os estudantes foram mais contaminados pelo coronavírus que os profissionais da educação.

A porcentagem de testes positivos foi de 11,1% entre os estudantes – que corresponde a cerca de 560 integrantes do grupo. Já entre os profissionais (professores e outros funcionários), a taxa de positivos foi de 7,8%. O número corresponde a, aproximadamente, 440 pessoas.

Os resultados também foram analisados quanto a fatores como o nível de ensino, raça, sexo, idade. As escolas municipais tiveram maior frequência de estudantes positivos do que as outras escolas (estadual e privada). Em relação aos trabalhadores da educação, os que se autodeclararam pardos ou pretos foram a maior frequência de positivos.

O inquérito apontou que o percentual de estudantes e trabalhadores positivos foi maior entre as pessoas que moram com mais de cinco pessoas e também entre os que usam o transporte público regularmente. Já o número de cômodos na residência e a existência de água e esgoto na casa não foram diferentes entre os que não tiveram a doença e os que testaram positivo para o vírus.

Percentual de estudantes positivos para Covid-19

  • Linhares – 16,5%
  • Marataízes – 15%
  • Vila velha – 12,3%
  • Cachoeiro – 11,8%
  • Vitória – 11,7%
  • Cariacica – 11,2%
  • Serra – 10,2%
  • Colatina – 10,1%
  • São Mateus- 7,9%
  • Nova Venécia – 7,3%
  • Afonso Cláudio – 4,4%
  • Santa Maria de Jetibá – 3,7%

Percentual de trabalhadores positivos para Covid-19

  • Colatina – 11,3%
  • Cariacica – 10%
  • Linhares – 9,5%
  • Vila Velha – 9,3%
  • Cachoeiro de Itapemirim- 8%
  • Nova Venécia – 6,8%
  • Vitória – 6,8%
  • Serra – 6,7 %
  • Marataízes – 5,3%
  • São Mateus – 4,8%
  • Santa Maria de Jetibá – 4,5%
  • Alegre – 3,0%
  • Afonso Cláudio – 2,1%

Percentual de estudantes positivos no Espírito Santo, Grande Vitória e interior

  • ES – 11,1%
  • Grande Vitória – 11,3%
  • Interior – 10,7%

Percentual de profissionais positivos no Espírito Santo, Grande Vitória e interior

  • ES – 7,8%
  • Grande Vitória – 8%
  • Interior – 7,4%

Entre os estudantes que testaram positivo, 37,9% tiveram sintomas de Covid-19. Dos sintomas mais frequentes entre os estudantes foram:

  • Cefaleia (dor de cabeça) – 61,2%
  • Congestão natal – 32,6%
  • Tosse – 32,6%
  • Dor de garganta – 31,8%
  • Coriza – 30,2%
  • Febre – 28,7%
  • Anosmia (perda do olfato) – 27,9%
  • Mialgia (dor no corpo) – 27,1%
  • Ageusia (perda do paladar) – 27,1%

Já entre os trabalhadores positivos para o vírus, mais de 65% apresentaram sintomas. Os mais frequentes foram:

  • Cefaleia (dor de cabeça) – 55,1%
  • Ageusia (perda do paladar) – 53,5%
  • Anosmia (perda do olfato) – 51%
  • Mialgia (dor no corpo) – 46,5%
  • Fadiga – 45,5%
  • Febre – 38,9%
  • Tosse – 34,8%
  • Coriza – 34,3%
  • Congestão natal – 33,3%
  • Dor de garganta – 27,3%

A análise da Sesa aponta que a amostra de profissionais e estudantes infectados pelo vírus é semelhante ao resultado do inquérito sorológico domiciliar, realizado entre a população geral do Espírito Santo.

Dessa forma, para melhorar a investigação sobre a contaminação, a Sesa informou que estuda a realização de outras fases do inquérito escolar para acompanhar a evolução da doença no retorno às aulas.

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