Inflação desacelera para 0,47% em maio

Compartilhe

Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou para 0,47% em maio, informou nesta quinta-feira (9) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A variação veio abaixo das expectativas do mercado financeiro. Na mediana, analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam alta de 0,6%.

Em abril, mês imediatamente anterior, o IPCA havia subido 1,06%, maior variação para o mês desde 1996.

Com a entrada dos novos dados, a inflação chegou a 11,73% no acumulado de 12 meses até maio. Nessa base de comparação, a alta havia sido de 12,13% até abril.

Oito grupos têm alta no mês Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram avanço de preços em maio. A maior variação veio do ramo de vestuário. A alta foi de 2,11%, com 0,09 ponto percentual de contribuição no IPCA mensal.

O maior impacto entre os grupos (0,30 ponto percentual) veio do segmento de transportes, que subiu 1,34%, menos do que em abril (1,91%). 

No caso dos transportes, a alta foi puxada pelas passagens aéreas, que aceleraram para 18,33% em maio. A alta em abril havia sido de 9,48%.

As passagens aéreas responderam pelo maior impacto positivo individual no IPCA do mês (0,08 ponto percentual), ao lado de produtos farmacêuticos, que subiram 2,51% e registraram a mesma contribuição (0,08 ponto percentual). Os produtos farmacêuticos fazem parte do grupo saúde e cuidados pessoais, que avançou 1,01%.

“Vale fazer uma ressalva de que a coleta das passagens aéreas é feita dois meses antes. Neste caso, os preços das passagens aéreas foram coletados em março para viagens que seriam realizadas em maio”, afirma o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

“A alta deve-se a dois fatores: elevação dos custos devido ao aumento nos preços dos combustíveis e pressão de demanda, com o aumento do consumo, após um período de demanda reprimida por serviços, especialmente aqueles prestados às famílias. Isso impacta, também, alimentação fora do domicílio e itens de cuidados pessoais”, acrescenta.

No caso dos produtos farmacêuticos, foi autorizado em abril um reajuste de até 10,89% no preço dos medicamentos. Esse reajuste pode ter sido aplicado pelos varejistas de forma gradual, segundo o IBGE.

O grupo de alimentos e bebidas também desacelerou. A alta foi de 0,48% em maio, após variação de 2,06% em abril.

O único grupo a apresentar queda de preços no mês passado foi habitação (-1,70%), contribuindo com um impacto de -0,26 ponto percentual no IPCA do mês. 

Disparada ao longo da pandemia A escalada da inflação ganhou forma ao longo da pandemia devido a uma combinação de fatores.

Entre eles, estão a escassez de insumos, a alta dos preços de alimentos e energia com o clima adverso e o avanço do dólar em meio a turbulências políticas do país.

No primeiro semestre deste ano, houve o impacto adicional da Guerra da Ucrânia. O conflito provocou aumento do petróleo e de commodities agrícolas no mercado internacional, o que pressiona preços de combustíveis e comida no Brasil.

Para tentar conter o IPCA, o BC (Banco Central) vem aumentando os juros, o que dificulta o consumo das famílias e encarece os investimentos produtivos de empresas.

O IPCA está em dois dígitos no acumulado de 12 meses desde setembro do ano passado. Assim, caminha para estourar a meta de inflação perseguida pelo BC pelo segundo ano consecutivo.

Em 2022, o centro da medida de referência é de 3,50%. O teto é de 5%.

Lista ****  Preocupação para o governo Com a proximidade das eleições, a escalada da inflação virou dor de cabeça para o presidente Jair Bolsonaro (PL).

A carestia dos combustíveis e alimentos é vista por membros da campanha de Bolsonaro como principal obstáculo para a reeleição.

O presidente, incomodado com a situação, anunciou na segunda-feira (6) um pacote de medidas para tentar reduzir o preço dos combustíveis. As iniciativas valeriam até o fim do ano, mas despertam incertezas em relação ao impacto fiscal e dependem da aprovação do Congresso Nacional.

Em um cenário de juros maiores, economistas avaliam que a inflação tende a desacelerar no acumulado de 12 meses até dezembro. Contudo, a perspectiva ainda é de IPCA alto.

Não à toa, as estimativas de inflação vêm sendo revisadas para cima nos últimos meses. Na mediana, o mercado financeiro projeta IPCA de 8,89% até dezembro, de acordo com a edição mais recente do boletim Focus, divulgada na segunda-feira pelo BC.

 

Leia também

Regra que garante segurança de brinquedos no Brasil completa 30 anos

O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a regulamentar a segurança de brinquedos. Há 30 anos,...

Moto fica destruída após pegar fogo em Nova Venécia

  Um motocicleta pegou fogo na Avenida Guanabara, no início da tarde desta sexta-feira (24), na proximidades da Vila...

Vacinação contra gripe e sarampo

A gripe é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. Ela é provocada pelo vírus da influenza e...

Preso é encontrado morto dentro de cela em presídio do Espírito Santo

  Um preso foi encontrado morto, na madrugada desta segunda-feira (27), no Centro de Detenção Provisória de Vila Velha...

Dia Nacional do Progresso

Esta data é uma homenagem a todos os direitos conquistados ao longo dos anos pelos brasileiros como cidadãos,...

Associação de Cabos e Soldados inaugura Clube Recreativo em Nova Venécia

  A partir deste sábado (25), a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do...