Indústria 4.0: Senai-RS se adapta ao novo cenário e moderniza estruturas e cursos

A pandemia do novo coronavírus provocou transformação em todo o planeta. No Brasil, além de mudanças nos setores de saúde, economia e educação, houve urgência também em implementar tecnologias mais avançadas e abrir caminho para a Indústria 4.0. Considerada a quarta geração da revolução industrial, que já teve como protagonistas a mecânica, a elétrica e a automação, a lista agora inclui inteligência artificial, internet das coisas e robótica. 

De acordo com dados do governo federal, a expectativa é de que a Indústria 4.0 dê fôlego à retomada econômica pós-pandemia, já que, atualmente, a indústria é responsável por menos de 10% do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa anual de redução de custos industriais no Brasil, a partir da migração da indústria para o conceito 4.0, será de cerca de R$ 73 bilhões ao ano, segundo projeção do governo. 

“Esse impacto na indústria não fica restrito a ela. Essas tecnologias impactam outros setores, como a educação. À luz dessas tecnologias e da necessidade de repensar o ensino e a indústria, a educação sofre uma mudança. Os padrões industriais da primeira revolução não resolvem os problemas da indústria de hoje. A mesma coisa ocorre com a educação, com os modelos de salas de aula”, avalia o especialista em planejamento estratégico, gerenciamento de portfólios, programas e projetos Gino Teremtim Júnior. 

Na opinião do especialista, um dos desafios dos professores é compreender que respostas antigas talvez não correspondam mais aos desafios em sala de aula nesse contexto mais complexo. “Como essas tecnologias podem ajudar a educação a se reinventar e quais as habilidades que a educação deve trabalhar mais do que as ‘caixinhas’? Como trabalhar de forma individual e não em massa, em larga escala? Esse modelo de larga escala na educação era muito comum no modelo industrial, com uma escala linear até se formar, tudo isso é se desafiado a repensar”, argumenta Teremtim. 

No Rio Grande do Sul, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS) está preparado para receber os alunos no retorno às aulas. Quem garante é o diretor regional da entidade, Carlos Trein, que reforçou todos os protocolos de higiene e segurança na prevenção contra a covid-19, além de investir em equipamentos e estratégias mais modernas e alinhadas com o novo mercado em 42 unidades de ensino. 

“O Senai do Rio Grande do Sul estava atualizando seus equipamentos, máquinas, sistemas para a adequação para as normas de segurança. Ao fazer isto, direcionamos a aquisição e adequação destes para possibilitar uma disseminação de maior variedade de cursos profissionalizantes junto ao nosso público-alvo”, explica Trein.

De acordo com o diretor, o portfólio foi adaptado para o momento de pandemia com 197 cursos de iniciação, 221 de aperfeiçoamento, 13 títulos de técnicos na modalidade presencial e cinco títulos na modalidade semipresencial. Na lista, estão cursos correspondentes aos setores de Automação e Mecatrônica; Automotivo; Calçados; Gestão; TI-software; Fabricação Mecânica; Manutenção Mecânica; Soldagem; Eletroeletrônica; Energias Renováveis; Cozinha e Panificação e Confeitaria.

As aulas podem ser realizadas nos três turnos. Trein ainda revela que alunos do Senai têm preferência de mais de 95% das indústrias na hora de contratar, conforme o Sistema de Acompanhamento de Egressos do Senai.  

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“Os cursos foram direcionados justamente para procurar atender as novas ocupações derivadas da Indústria 4.0. A maioria dos cursos ofertados incorporam ou passam pelas tecnologias habilitadoras da manufatura avançada, ou Indústria 4.0, propiciando assim que o nosso aluno seja inserido no mercado plenamente adequado com as novas exigências do mercado”, garante Trein. 

Ainda de acordo com a direção, as unidades do Senai gaúcho contam com laboratórios com equipamentos de ponta, recursos didáticos atualizados, realidade aumentada, simulador 3D, laboratório remoto, jogos interativos e ferramentas de comunicação síncrona. Nos cursos semipresenciais, os alunos têm acesso a tecnologias educacionais, animações e recursos interativos. 

“O modelo de sala de aula dentro de quatro paredes vem de uma premissa de que o conhecimento estava dentro do prédio. As pessoas que detinham o conhecimento estavam lá dentro, os livros estavam lá dentro. O prédio, então, armazenava o conhecimento. O mundo conectado e o acesso ao conhecimento de forma descentralizada trazem um desafio muito grande que é como não ficar restrito ao prédio, à ‘caixinha’. O conhecimento também está lá fora”, reflete Gino Teremtim Júnior. 

Foto:Divulgação/Anpei

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