Homem boia por 4 horas no mar após tentar salvar adolescente no Espírito Santo: ‘Lutamos pela vida’

Regis Ferreira Alves, de 33 anos, foi arrastado para o mar em Vila Velha e dado como desaparecido por familiares. Ele e o menino boiaram por horas juntos até serem separados pela força da água, mas ambos sobreviveram.

Após desaparecer no mar por 4 horas, Regis Ferreira Alves, de 33 anos, está junto dos filhos. — Foto: Diony Silva/TV Gazeta
Após desaparecer no mar por 4 horas, Regis Ferreira Alves, de 33 anos, está junto dos filhos. — Foto: Diony Silva/TV Gazeta

 

Por Maíra Mendonça, G1 ES

Foram quatro horas boiando em mar aberto até que a visão de uma praia no horizonte deu a Regis Ferreira Alves a chance de voltar para terra firme e recomeçar a vida. O ajudante de obras de 33 anos e o adolescente Douglas Iuna, de 13, viveram momentos de pavor na noite desta segunda-feira (21) após serem arrastados para dentro do mar na Barra da Jucu, em Vila Velha, na Grande Vitória. Depois de ficarem horas perdidos e de serem separados pela força da água, ambos conseguiram se salvar.

“Você vê a morte na sua frente, a onda te afundando, batendo em cima de você. Mas eu falei que não ia desistir da minha vida. Eu e Douglas lutamos pela vida”

contou Regis, que chegou a ser considerado desaparecido pela família e mobilizou equipes de mergulho do Corpo de Bombeiros.

A história de Régis e de Douglas teve início no final da tarde desta segunda-feira, por volta das 17h30, quando o ajudante de obras e o menino, que estavam pescando com um grupo de amigos e familiares no Rio Jucu, decidiram ir andar pela praia. Junto com eles, estavam também um amigo de Douglas e um filho de Regis.

“A gente estava andando pela praia e quando o Douglas andou um pouco para trás a onda puxou ele para o mar. Eu estava olhando meu filho e quando virei ele já estava sendo levado. Eu corri atrás para tentar puxar ele, mas uma onda também me levou pra dentro do mar. E aí o mar foi levando a gente”, conta Regis.

Após serem levados pela água, Régis e Douglas ficaram boiando juntos por cerca de duas horas, calcula o ajudante de obras, enfrentando juntos a força do mar, além do frio e do medo. “Eu fiquei com medo de ele se afogar porque ele é pequeno, direto eu tentava puxar ele para o meu lado”, lembra Régis.

Mas, apesar dos esforços, o mar acabou separando o menino e o ajudante de obras. Para Régis, este foi o pior momento vivido por ele ao longo das horas que passou dentro do mar.

“Eu não conseguia ver ele mais. Eu ouvia os gritos de socorro, mas depois não ouvi mais. Achei que ele tivesse morrido”.

Mas foi justamente ao se separar de Régis, que Douglas acabou se aproximando de uma praia. Sozinho, o menino conseguiu chegar à terra firme e pediu ajuda em uma casa nas proximidades.

Douglas Iuna, de 13 anos, foi atendido por uma equipe do Corpo de Bombeiros após boiar no mar por duas horas e meia

Douglas Iuna, de 13 anos, foi atendido por uma equipe do Corpo de Bombeiros após boiar no mar por duas horas e meia

Foi o vendedor Mário Eugênio Gomes quem o auxiliou. “Abri o portão pra ir na rua comprar alguma coisa e chegou um garoto pedindo ajuda para ligar para o pai. Ele estava cheio de areia e com os olhos muito vermelhos”, lembrou o vendedor.

Na casa de Mário, Douglas comeu, trocou de roupa, se alimentou e conseguiu ligar para o pai, que foi ao seu encontro. O Corpo de Bombeiros fez o primeiro atendimento ao adolescente. Ele ainda passou por uma bateria de exames durante a noite e, segundo o pai, o padeiro George Inácio Iuna, está bem.

Após se separar de Douglas, Régis calcula ter permanecido na água sozinho por mais duas horas até que também avistou uma praia e nadou até a areia.

“Eu já não estava aguentando mais nada. Já tinha engolido muita água, minha garganta ardia, a água estava muito gelada”, lembra Régis.

O ajudante de obras acredita que tenha saído no mar já na Ponta da Fruta, também em Vila Velha. De lá, ele ainda andou mais duas horas a pé para chegar até um shopping do município, onde conseguiu uma carona com um motorista conhecido para chegar até sua casa, no bairro Castelo Branco, em Cariacica. Quando isso aconteceu, o relógio já marcava 1 hora da madrugada.

Pai de cinco filhos, Régis acredita ter nascido de novo após a experiência. “Minha esposa estava achando que eu estava morto, quando eu cheguei na porta ela saltou de alegria. A única coisa que eu pensava quando estava lá era a minha família. Deus me deu mais força para lutar. Eu nasci de novo”, comemorou.

O pai de Douglas também agradeceu pelo fato de o filho ter sobrevivido e estar bem. “Eu acredito em milagre, em poder de Deus. Se eu não acreditasse antes, hoje era o dia, pois para mim isso é um milagre”, disse George Inácio.

Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que fez buscas por Douglas e Régis na noite desta segunda-feira. Quando as equipes de mergulho estavam a caminho da praia na manhã desta terça-feira para procurar por Régis, a família dele ligou para informar que ele já estava em casa.

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