Hamilton cobra ‘mais atitude’ da Ferrari contra o racismo após vitória na Áustria

Vencedor da etapa inédita do GP da Estíria, na Áustria, neste domingo, 13, Lewis Hamilton se manifestou mais uma vez contra o racismo. O piloto da Mercedes viu com bons olhos o gesto de mecânicos da RBR, que se ajoelharam no grid antes da largada, mas chamou a atenção da Ferrari, cobrando que a equipe, assim como a Fórmula 1, adote um posicionamento contínuo pela causa – muito além de manifestações pontuais nas corridas.

O seis vezes campeão da F1 voltou a se ajoelhar, antes da prova, vestindo sua camiseta com a mensagem “Vidas Negras Importam”. Após a dominante vitória na segunda etapa no Circuito de Spielberg, o britânico ergueu o punho no pódio ao lado de Stephanie Travers, engenheira de fluídos da Mercedes e primeira mulher negra a representar uma construtora.

“Vimos alguns mecânicos da RBR se ajoelharem, o que eu acho que é ótimo, mas como um negócio e como equipes… Se você olhar para a Ferrari, que tem milhares de pessoas trabalhando com eles, eu não ouvi uma palavra sequer deles dizendo que eles se responsabilizam e que isso é algo que eles vão fazer em seu futuro. E nós precisamos que as equipes façam isso – declarou o piloto.

Hamilton foi acompanhado por 13 dos 20 colegas em mais uma manifestação de oposição ao racismo, momentos antes do início da corrida do GP da Estíria. A transmissão da categoria também destacou os mecânicos de Max Verstappen, da RBR, se ajoelhando, gesto que se opôs à decisão do próprio holandês de permanecer de pé, assim como Charles Leclerc, Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat. Carlos Sainz, da McLaren, e Antonio Giovinazzi, da Alfa Romeo, não compareceram.

O britânico também cobrou o papel da própria Fórmula 1 e das outras equipes na promoção da luta a favor dos direitos humanos, ressaltando que a ignorância ou a negação da existência do racismo não ajuda no combate ao mesmo.

Lewis Hamilton, da Mercedes, ergue o punho no GP da Estíria (Foto: Dan Istitene via Getty Images)

Hamilton também elogiou a iniciativa da categoria e do presidente da Liberty Media, Chase Carey, em financiarem a criação de uma força-tarefa que, junto com o projeto “We Race as One”, vai ajudar a promover oportunidades de emprego e estágio para minorias dentro do automobilismo:

“Precisamos que a Fórmula 1 e a FIA sejam mais atuantes nesses cenários, dizendo, “ei, pessoal, todos nós juntos, todos precisamos nos unir e lutar por isso”. Acho que muitas pessoas não sabem qual é o problema. Muitas pessoas negam que há um problema. É bom ver Chase (Carey) sendo tão gentil e doando milhões de dólares, e a FIA por dar um passo a frente e também doar milhões. Mas se você não conhece o problema, você não pode concertá-lo, e milhões de dólares não vão muito longe. Muito trabalho precisa ser feito na Fórmula 1. A FIA realmente precisa tomar parte nisso, e acho que os pilotos também precisam se juntar, porque temos uma grande voz e grandes plataformas.

Na abertura do campeonato, no GP da Áustria, na semana passada, a Fórmula 1 aderiu aos movimentos esportivos contra o racismo de forma inédita. Todos os pilotos se juntaram no grid do Circuito de Spielberg trajando camisetas com a inscrição “Acabe com o Racismo”. Boa parte deles decidiram ajoelhar; no entanto, seis permaneceram de pé, gesto que causou polêmica.

Após a prova na Estíria, neste domingo, Lewis Hamilton ainda revelou que muitos pilotos não entenderam a ação contra o racismo como uma manifestação contínua:

“Alguns perguntaram “por quanto tempo temos que continuar fazendo isso?”. Outros sentiram que uma vez na semana passada já era suficiente, e eu tive que dizer a eles que o racismo provavelmente vai continuar por aqui por muito mais tempo do que a gente. Pessoas racializadas, que sofrem com o racismo, não tem a escolha de apenas “tirar um momento” pra protestar e ficar por isso mesmo. Nós temos que continuar lutando por equidade, e promover a preocupação por isso.”

Globo Esporte

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Pilotos se ajoelham antes da corrida no GP da Estíria (Foto: Dan Istitene via Getty Images)

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