Há um ano, primeiro caso de Covid-19 era confirmado no Espírito Santo

 

Há exatamente um ano, no dia 5 de março de 2020, o primeiro caso de Covid-19 era confirmado no Espírito Santo. Em 365 dias, o número de infectados pelo vírus, que se espalhou rapidamente em escala mundial, passou de um para 331.328, enquanto as mortes já chegam a quase 6,5 mil, de acordo com os dados mais recentes do governo estadual. O levantamento foi feito por Maíra Mendonça, do G1 ES.

Enquanto apenas 3,41% da população do estado, que possui aproximadamente 4 milhões de habitantes, já recebeu ao menos a primeira dose da vacina contra a Covid-19, os capixabas lidam com as incertezas em relação ao que virá pela frente, incluindo a possibilidade de que um terceiro pico da doença torne-se realidade nos próximos meses.

Em 11 de março de 2020, seis dias após a confirmação do primeiro caso no território estadual, a Covid-19 passou a ser classificada como pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) devido à expansão do coronavírus em nível global.

Diante do iminente impacto sobre a saúde pública, que não contava com número suficiente de leitos, tanto na rede pública quanto na particular, para atender ao aumento da demanda, as primeiras medidas para conter a circulação de pessoas e desacelerar a infecção pelo vírus começaram a ser tomadas.

Por determinação do governo estadual, as escolas foram fechadas no dia 17 de março e só reabririam em outrubro do mesmo ano. O mesmo aconteceu com academias, bares e com o comércio, com exceção dos serviços considerados essenciais, como farmácias e supermercados. Cirurgias eletivas também foram suspensas.

O funcionamento de todos os setores passou a depender da classificação de risco de cada cidade, que segue os critérios de uma matriz desenvolvida pelo governo e que passou a ser usada desde 20 de março, levando em conta fatores como coeficiente de incidência de casos confirmados nos municípios, taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), índices de isolamento social e letalidade da doença, além do percentual da população acima dos 60 anos.

Em meados de junho de 2020, todas as cidades do estado chegaram a ser classificadas com risco alto e moderado para a doença.

Em casa, a rotina mudou e o home office tornou-se realidade para milhares de capixabas. Somente no âmbito do governo estadual, mais de 4,3 mil servidores deixaram as repartições públicas para trabalhar à distância. Nas ruas, no comércio e nos ônibus o uso de máscara e de álcool em gel tornou-se obrigatório.

Em meio ao doloroso cenário de mortes e também de perda de renda diante da pandemia, as festas clandestinas e aglomerações também se tornaram motivos de preocupação e de alerta de especialistas.

Ao longo de um ano, o estado enfrentou dois picos da doença. Também chamados de “ondas”, estes são períodos em que o número de casos confirmados, assim como o de internações e o de mortes aumentam significativamente.

O primeiro pico ocorreu entre junho e julho de 2020. Entre os dias 28 de junho e 4 de julho, 9.035 testaram positivo para a doença no Espírito Santo. Tratava-se do maior número de confirmações até então. Mas esse recorde foi ultrapassado no final do ano, com o surgimento de uma segunda onda do vírus. Entre 15 e 21 de novembro, o estado confirmou 9.219 novos pacientes.

A aceleração das infecções tiveram reflexo direto sobre a capacidade de atendimento dos hospitais, que chegaram a enfrentar dificuldades para atender a todos os pacientes. No dia 5 de julho, por exemplo, o estado chegou a registrar uma taxa de ocupação de 86,58% dos leitos de UTI. Em 10 de dezembro, o percentual chegou a 85,92%.

Do mesmo modo, foram nessas épocas em que o estado registrou seus mais dolorosos recordes. O dia 22 de junho marca a data em que o estado registrou seu maior número de mortes: foram 59 óbitos em 24 horas. Número semelhante foi alcançado em 28 de dezembro, quando ocorreram 55 mortes. Neste mesmo dia, inclusive, o estado registrou o maior número de casos confirmados em um dia (3.517).

Em um ano, no entanto, o governo estadual investiu na ampliação da oferta de leitos. Atualmente, o estado conta com 1.532 vagas a mais que podem ser usadas para tratar pacientes da Covid-19 em casos de necessidade. Desse total, 715 são leitos de UTI e outros 817 são de enfermaria.

Uma ampliação que permitiu ao estado receber pacientes de outros estados, que enfrentam crises na saúde pública, sem condições de ofertar vagas a todos os doentes. Já chegaram ao Espírito Santo, 36 pacientes do Amazonas, 15 de Rondônia e, dois pacientes de Santa Catarina – ao todo, são esperados 16 pacientes do estado do Sul do país.

Em primeiro de março, o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou a criação de mais 88 leitos até o final de abril. O índice total de ocupação de leitos atual, incluindo de enfermaria e de UTI, é de 74,03%.

Paciente vinda de Rondônia que foi recebida no ES para tratar Covid-19

Paciente vinda de Rondônia que foi recebida no ES para tratar Covid-19

No dia 18 de janeiro de 2020, o primeiro carregamento com 101,3 mil doses de vacina contra a Covid-19 chegou ao Espírito Santo. Em uma cerimônia simbólica realizada no Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves, na Serra, a técnica de enfermagem Iolanda Brito, de 55 anos, deu largada ao início da imunização de idosos, de profissionais da saúde e de indígenas no território estadual.

Até o momento, dados da plataforma vacinômetro, indicam que 136.627 pessoas receberam a primeira dose do imunizante. Dessas, 33.452 receberam também a segunda dose, estando, de fato, imunizadas.

Em grande parte das cidades do estado, incluindo a Grande Vitória, o processo de vacinação está aberto para profissionais da saúde e para idosos com 80 anos ou mais.

De acordo com o subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, é “muito possível” que até o final de março seja iniciada a vacinação de pessoas com 60 anos ou mais, dependendo da disponibilização de doses do Ministério da Saúde.

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