Grasiele Marques, a “secretária com alma do esporte amador”

Atleta de handebol que levou time da cidade ao vice-campeonato capixaba, Grasiele foi escolhida por Enivaldo para “fazer a revolução no esporte de Barra de São Francisco”

Grasiele Marques coleciona troféus e medalhas e quer popularizar esportes na cidade.

Quando anunciou a criação da Secretaria de Esporte e Lazer, o prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD) comunicou que quem a ocuparia seria uma pessoa “com a alma do esporte amador” para dar uma sacudida no setor. Nesta quarta-feira (27), ele anunciou o nome escolhido: Graziela Marques, 36 anos, atleta desde os oito anos de idade, com destaque no handebol e entusiasmo que passa para a filha de 13 anos.

Natural de Mantena (MG), há 19 anos Grasiele mora no Espírito Santo e há 16 trabalha na Fortuna Granitos, onde começou como recepcionista, passou por todos os setores da empresa e respondia pela área de vendas externas. O amor pelo esporte aprendeu com o pai, Juarez Marques, que era árbitro de futebol de campo e futsal e tinha um time amador em Mantena.

“Desde pequenininha eu acompanhava meu pai nos jogos. Sempre gostei de todos os esportes e do futebol, inicialmente, por causa de meu pai. Com oito anos de idade eu comecei a ir para o polivalente acompanhar treinos e jogos do time de handebol. O professor deixava eu entrar na quadra e isso me incentivou. Também comecei a praticar atletismo. OU seja, minha vida inteira foi vinculada ao esporte, nunca bebi e nunca fumei”, conta a secretária.

Aos 11 anos, Grasiele já era considera destaque de competições de sua categoria e foi se aperfeiçoando no handebol. Tem em casa mais de 300 medalhas e dezenas de troféus. “Sempre fui muito competitiva. Nos Jogos do Interior de Minas Gerais, eu tinha 14 anos e fui autorizada a participar. Nosso time de handebol perdeu de 30 a 5 para Teófilo Otoni e eu falei com o treinador que nunca mais perderia para eles. E nasceu uma grande rivalidade entre as duas cidades. Nossos jogos passaram a ser decididos por uma bola, ora para nós, ora para eles”, conta.

Quando Grasiele chegou a Barra de São Francisco, não havia handebol na cidade e ela logo começou a arregimentar meninas para formar um time e a modalidade hoje é destaque na cidade. Em 2019, com Grasiele comandando e jogando, a sua equipe foi vice-campeã estadual, perdendo a final para a equipe comandada pela técnica Kátia Amanajás, professora de educação física e principal referência do handebol capixaba.

Sem apoio na cidade, Grasiele inscreveu o time por Itaguaçu e equipe foi vice-campeã capixaba

Por falta de apoio da municipalidade, a equipe de Barra de São Francisco na verdade foi inscrita na Federação Capixaba de Handebol como Alcsies/Faeg Itaguaçu. “Mas agora vamos federar a nossa equipe e Barra de São Francisco vai ter representante”, disse a secretária, acrescentando: “O esporte só faz bem para as pessoas e as cidades. Tira as crianças e jovens do risco da criminalidade”.

A indicação de Grasiele para a Secretaria Municipal de Esportes não é incidental, mas fruto das observações do próprio prefeito, que há dez anos acompanha o trabalho dela. “Nunca tivemos patrocinadores e as meninas que jogam, geralmente, são de famílias mais pobres. Mas há cerca de dez anos procurei o Enivaldo e ele começou a nos ajudar, pagando o transporte do time e fomos crescendo. Alimentação eu conseguia com as empresas de granito e foi assim que sobrevivemos e chegamos a ser a segunda força do Estado”, disse Grasiele.

Mas o handebol não será o único foco da nova secretária de Esportes: “Vamos fazer um grande movimento na cidade, ouvir as pessoas sobre os que elas querem. Eu também pedalo, vamos movimentar os ciclistas, o futebol, resgatar o motocross, incentivar o voo livre, as atividades recreativas, com a promoção de grandes caminhadas. Vamos promover provas de rua, quem sabe uma corrida entre Barra de São Francisco e Mantena para reforçar os laços fraternos entre as duas cidades. Vai ser a Dez Milhas da Integração. O prefeito quer a revolução do esporte e vamos fazer”, disse a nova secretária.

Como o esporte é contagiante, Thalita, a filha de 13 anos de Grasiele, já é destaque também no handebol e, antes de chegar a pandemia, foi convidada para jogar pela melhor equipe do Estado, do Colégio Castro Alves, com bolsa de estudos integral. (Da Redação com a colaboração de José Caldas da Costa)

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