Governador do Espírito Santo visita parque fabril do Instituto Butantan em SP e manifesta interesse na ButanVac

O governador do Espírito Sano, Renato Casagrande (PSB), visitou, na manhã desta sexta-feira (23), o parque fabril do Instituto Butantan, em São Paulo.

No local, a comitiva capixaba acompanhou o envase de doses da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 que é aplicada em todos os estados desde janeiro.

Segundo o Governo do ES, Casagrande manifestou o interesse na aquisição futura da ButanVac, vacina 100% feita no Brasil, além de fomentar uma parceria entre o Instituto e o Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen).

“Nosso primeiro objetivo com essa visita é conhecer o instituto, que é uma referência em salvar vidas. Segundo, demonstramos o nosso interesse em adquirir a vacina do Butantan, a ButanVac, assim que ela estiver à disposição para adiantarmos a imunização dos capixabas. Na segunda-feira, vou encaminhar um ofício ao instituto para solicitar a reserva de quatro milhões de doses da ButanVac para aquisição pelo governo do estado, quando ela estiver pronta. Outro objetivo é fomentar uma parceria entre o Instituto Butantan e o Lacen para que possamos fazer um intercâmbio de pesquisadores e investimentos, que certamente irão nos ajudar em dificuldades no futuro”, afirmou Casagrande.

Após visitar a área de envase da CoronaVac, a comitiva conheceu o local onde é produzida a vacina contra influenza e, posteriormente, a ButanVac, que ainda está em fase de testes.

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, se mostrou aberto aos pedidos da comitiva capixaba.

“É uma satisfação imensa recebê-los no instituto. Vamos trabalhar para atender todos os pleitos e cooperações o mais rápido possível. O capixaba pode ficar tranquilo, pois estamos abertos à essas cooperações. Digo o seguinte, que o momento é de oportunidades para a ciência para que o país sai forte e se prepare para as próximas epidemias, pois elas irão acontecer”, disse.

Quase um mês após o anúncio da fabricação de uma nova candidata a vacina contra Covid-19, o Instituto Butantan ainda não apresentou dados completos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que estudos clínicos em humanos da ButanVac sejam autorizados pelo órgão regulador.

Entre as informações pendentes estão o número de voluntários participantes, locais de realização dos testes e os resultados esperados com a ButanVac.

Em 26 de março deste ano, o Butantan divulgou o desenvolvimento do imunizante e enviou à Anvisa o pedido de autorização referentes às fases 1 e 2 de testes da vacina, quando são avaliadas segurança e capacidade de promover resposta imune.

Na época, o Instituto disse que esperava iniciar os estudos com 1,8 mil voluntários ainda em abril, a depender da liberação da agência. Até o momento o imunizante só foi testado em animais na fase pré-clínica.

O chamado “dossiê do produto” remetido há quatro semanas, no entanto, não contemplava todos os requisitos exigidos pela Anvisa.

A documentação completa, segundo o instituto, deve ser enviada digitalmente até esta sexta. O Butantan defende ainda que tem mantido contato constante com os técnicos da Anvisa.

“Nós finalizamos essa semana junto com o consórcio internacional protocolo do estudo clínico e está em processo de submissão na Anvisa. Esperamos que isso seja rapidamente deferido porque as dúvidas já estavam sendo discutidas com a Anvisa previamente. A partir de maio, teremos condições de produção dessa vacina. Vamos produzir um quantitativo em risco e, portanto, vamos aguardar o resultado dos estudos clínicos para poder utilizar a vacina (…) Nós vamos ter que aguardar os resultados do estudo clínico para poder ter autorização de uso da Anvisa”, disse o diretor-presidente do Butantan, Dimas Covas, em coletiva à imprensa na terça (20).

Já a agência reguladora diz que desde 29 de março, quando “foi emitida exigência para o Instituto Butantan referente ao pedido de anuência de estudo clínico para a candidata à vacina”, não houve atualização sobre o processo da ButanVac.

Em coletiva de imprensa na sede do Butantan no início do mês, Dimas Covas comentou sobre o público-alvo dos testes, como mostra o vídeo abaixo:

O Instituto Butantan tem o prazo de até 120 dias para apresentar as informações detalhadas sobre os estudos clínicos. A Anvisa exige apresentação de uma proposta de estudo a ser executado, com informações sobre o número de participantes, locais de realização dos testes e os resultados esperados.

A Agência ainda afirma que não pode antecipar previsão de prazos antes do envio dos dados pelo Instituto Butantan. Depois de autorizada, o tempo de execução da pesquisa da vacina dependerá do laboratório e sua capacidade de execução.

O pedido de autorização se refere às fases 1 e 2 de testes da vacina, nas quais serão avaliadas segurança e capacidade de promover resposta imune com 1.800 voluntários. Na fase 3, até 9 mil pessoas irão participar e a etapa vai estipular a eficácia. O objetivo é encerrar os testes e ter 40 milhões de doses da vacina prontas antes do final de 2021.

O imunizante é produzido com matéria-prima nacional, sem necessidade de importação de insumos. Segundo o instituto, a ButanVac faz parte de uma segunda geração de vacinas contra a Covid-19 e leva em conta as variantes, como da P1, que é brasileira. A tecnologia usada é a mesma da vacina contra a gripe.

Governador do ES visitou parque fabril do Instituto Butantan em SP — Foto: Giovani Pagotto/Governo do ES

Governador do ES visitou parque fabril do Instituto Butantan em SP — Foto: Giovani Pagotto/Governo do ES

-->