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Fapes apresenta projetos de avanço tecnológico para saúde

A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) realizou, de forma virtual, na última semana de outubro, o Seminário de Acompanhamento e Avaliação Final de editais do Programa Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS). O público pôde acompanhar on-line os 33 projetos de desenvolvimento de tecnologias para serem aplicados na melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS) do Espírito Santo.

As pesquisas foram contempladas com investimento de mais de R$ 2,3 milhões, por meio dos Editais Fapes/CNPq/Decit – SCTIE-MS/Sesa nº 03/2018 e nº25/2018. O programa foi realizado em parceria com a Secretaria da Saúde (Sesa), Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (Decit/SCTIE/MS), e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O Seminário durou três dias e contou com 70 participantes em média diária, uma demonstração do interesse das pessoas nas questões da saúde capixaba. “Investir em editais que têm como objetivo incrementar e resolver problemas em relação ao SUS do Espírito Santo mostra a preocupação do Governo do Estado com a população.  A população tem dependido ainda mais do SUS, principalmente nesses últimos dois anos em que estamos enfrentando a pandemia do novo Coronavírus [Covid-19]. Então, melhorar a saúde pública capixaba é essencial e com certeza a população terá muito o que usufruir dessas pesquisas”, disse a diretora-presidente da Fapes, Cristina Engel.  

O diretor técnico-científico da Fapes, Celso Saibel, declarou que mais uma vez os investimentos da Fapes em Ciência e Tecnologia retornam em produtos valiosos para a sociedade capixaba. “Alguns dos resultados gerados para solucionar problemas do SUS no Espírito Santo deverão ser estendidos e aplicados em outros estados brasileiros. Este é exatamente um dos objetivos do PPSUS. Fomentar a pesquisa de forma descentralizada e participativa, buscando soluções nos estados e, consequentemente, no País”, pontuou o diretor.

Outro ponto destacado por Celso Saibel foi que os avaliadores dos projetos ressaltaram a qualidade dos resultados apresentados e reconheceram o esforço dos pesquisadores em produzir pesquisa de qualidade, dentro de um cenário complicadíssimo decorrente da pandemia da Covid-19. “Diversos pesquisadores estiveram associados às ações de combate à pandemia, ao mesmo tempo que desenvolviam suas pesquisas”, disse Saibel.

Pesquisas apresentadas no Seminário:

Ao todo, 33 projetos científicos, tecnológicos e de inovação foram apresentados no Seminário PPSUS. Conheça o resumo de algumas pesquisas que podem ser assistidas na integra no canal da Fapes no YouTube.

  1. Software

A pesquisa “Software para gerenciamento dos indicadores da saúde da mulher no Sistema de Gestão Municipal de Vitória – ES” tem como objetivo o desenvolvimento de tecnologia em saúde para a atenção integral à mulher, partindo de um olhar da atenção básica por meio do Sistema de Gestão Informatizado da Rede Bem-Estar.

A pesquisadora e coordenadora do projeto é Eliane de Fátima Almeida Lima, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e explicou as funções do software como facilitador para os profissionais da saúde. “Foi desenvolvido para gerenciamento de indicadores, com objetivo de possibilitar as equipes e gestores de saúde de fazerem avaliação e monitoramento do cuidado em saúde da mulher. A partir da implantação desse software no sistema Rede Bem-Estar, gestores e equipes poderão sistematizar os dados e organizá-los em uma interface personalizada, estabelecendo inteligência aplicada à interpretação dos dados coletados com o auxílio de software de alta performance, tornando as decisões profissionais baseadas em análises sólidas”, detalhou Eliane Lima.

Durante o evento, foram apresentados os benefícios da pesquisa para a população de Vitória, como a qualificação das informações e as ações de saúde na atenção básica, em especial as voltadas à saúde da mulher e pré-natal; e a gestão das informações de forma mais ágil e proativa das equipes com o público-alvo, por meio dos painéis interativos e relatórios automatizados; além de promover a educação permanente em saúde dos profissionais nas áreas temáticas das políticas de atenção básica e saúde digital, fortalecendo a informatização da atenção básica, estimulando a inovação nos serviços de saúde e possibilitando a geração de produtos para o SUS. 

  1. Tratamento de tuberculose por aplicativo

O projeto “Desenvolvimento e Avaliação de uma Estratégia Baseada no Uso de Aplicativos Móveis para Melhorar a Adesão ao Tratamento da Tuberculose Latente” teve o objetivo de desenvolver e analisar a utilização de um aplicativo (app) que auxilie a pessoa com a Infecção Latente por Tuberculose (ILTB), durante o tratamento. 

O app foi criado pelo Laboratório de Epidemiologia da Ufes, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, e foi desenvolvido utilizando o sistema operacional Android. Após validação pelos profissionais da saúde e de pacientes, algumas alterações foram realizadas e o conteúdo do app mostrou ser de fácil entendimento. O app é denominado “Meu tratamento tuberculose latente”.

O aplicativo tem informações relacionadas ao manejo dos casos e para a definição de estratégias de intervenções para a qualificação da atenção a estes indivíduos. A responsável pelo projeto é a doutora Ethel Maciel, da Ufes. Ela defende a grande contribuição do aplicativo para a sociedade em geral.

“Esperamos que o aplicativo desenvolvido no projeto PPSUS auxilie no processo de acompanhamento e assistência a pessoa com Infecção por Tuberculose, facilitando seu acompanhamento durante o tratamento medicamentoso e, assim, diminuindo as chances de progressão para a doença. Além disso, sua implantação é de baixo custo e permite a interação entre o paciente e o profissional da saúde. Por proporcionar um acompanhamento contínuo do paciente, o App poderá ajudar na conclusão do tratamento da doença com sucesso”, explicou Ethel Maciel.

  1. Mapeamento dos acidentes terrestres e o SAMU

Um dos grandes resultados apresentados foi o do projeto “Mapeamento dos acidentes de transportes terrestres e outras causas externas na população assistida pelo serviço de atendimento móvel de urgência”, coordenado pela pesquisadora Luciana Carrupt Machado Sogame, da Emescam. 

O mapeamento permitiu o aprimoramento do planejamento das ações do SAMU e facilitou o gerenciamento dos recursos materiais e humanos. Os resultados da pesquisa também permitiram estabelecer as prioridades nos atendimentos das vítimas de causas externas e melhorar a distribuição das Unidades de Assistência Móvel por todo o Estado. 

Também foi possível melhorar a infraestrutura do Núcleo de Pesquisa Interdisciplinar da Rede de Urgência e Emergência, com a aquisição de três computadores de mesa e um notebook. Além disso, a publicação do livro “Geotecnologias no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência no Espírito Santo: mapeamento para política pública e tomada de decisão” foi financiada pela editora da Emescam. 

De acordo com a pesquisadora responsável pelo projeto, as aquisições e a publicação permitirão a difusão do conhecimento gerado a partir da pesquisa e todas as ações e conquistas não seriam possíveis sem o financiamento da Fapes. “Os recursos financeiros permitiram a formação de alunos da graduação que, com certeza, serão os futuros gestores e/ou pesquisadores do Espírito Santo. Os recursos também contribuíram com a capacitação de pesquisadores da área da saúde e gestores do SAMU em ferramentas de geotecnologias”, destacou Luciana Sogame. 

  1. Política de Educação Permanente em Saúde

A pesquisadora Carolina Dutra Degli Esposti, da Ufes, coordenou o projeto Avaliação de Implementação da Política de Educação Permanente em Saúde na Atenção Primária no município de Vitória, Espírito Santo”. Carolina Esposti mostrou pontos positivos obtidos pelos estudos realizados.

“A pesquisa mostrou ser satisfatória na implementação em Vitória, fatores que a influenciam e são questões a melhorar, fornecendo instrumentos para avaliação. Além dos benefícios diretos para a redefinição das políticas institucionais e de educação em saúde, o estudo também permitiu o aprimoramento de estratégias de parceria entre as instituições parceiras na execução do projeto. É uma grande ferramenta para qualificar os serviços públicos de saúde ofertados à população, com o apoio da Fapes e da Sesa” enfatizou Carolina Esposti.

O projeto possibilitará que a equipe central de normatização das estratégias e procedimentos do município de Vitória acompanhe a prática da educação permanente e avalie as soluções adotadas no enfrentamento das questões abordadas e os resultados alcançados.

“Será uma grande contribuição para o Espírito Santo, que, por meio da Secretaria da Saúde, é responsável pela normatização de estratégias e procedimentos da PNEPS na APS do ES; e para o Governo Federal fundamentar o debate nas comissões gestoras e propor estratégias e procedimentos normatizados para aprimorar políticas públicas nacionais na área de educação permanente, bem como trazer melhor compreensão das particularidades na implementação de políticas dessa natureza em nível local”, comentou a pesquisadora.

  1. Análise espacial na Atenção Primária à Saúde

O pesquisador do Sistema de Informação Geográfica do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Fernando Soares de Oliveira, coordenou o projeto “Aplicação de análise espacial na organização territorial da atenção primaria à saúde”.

Fernando de Oliveira agradeceu as parcerias na realização da pesquisa. “Os recursos disponibilizados pela Fapes e pelo PPSUS permitiram a compra de equipamento e a participação de três estudantes de graduação do interior do Estado, com acesso aos programas de iniciação científica. O mais importante foi tornar possível a integração de várias instituições, gerando sinergia para a realização de projetos de pesquisa aplicada, como Sesa, prefeituras e Multivix”, frisou o pesquisador.

O projeto de delimitação de micro áreas da saúde foi realizado em 14 munícipios do extremo norte do Estado. Foi gerado um sistema de delimitação, por meio da geomemória dos agentes comunitários de saúde, permitindo assim a construção de um sistema de informação territorial.

“A partir das informações, foi realizada uma análise espacial para a organização do território com base em critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O projeto permite uma melhor gestão do território e, consequentemente, otimizar a chegada de recursos públicos para a população”, explicou Fernando de Oliveira.

Confira todos os projetos apresentados no Seminário de Acompanhamento e Avaliação Final de Editais PPSUS

 “A judicialização da política de saúde mental no Estado do Espírito Santo”, com Fabiola Xaviar Leal, da Ufes de Vitória;

 “Sífilis congênita e fatores associados em regiões de alta morbimortalidade infantil e materna” no Espírito Santo, com Susana Bubach, da Ufes;

 “Aplicação da tecnologia de comunicação por luz visível em monitorização de recém-nascidos de alto risco”, com Jair Adriano Lima Silva, da Ufes;

 “Aplicação de análise espacial na organização territorial da atenção primária à saúde”, com Fernando Soares de Oliveira, do Incaper;

 “Integração entre a atenção básica e a atenção especializada para o enfrentamento do câncer bucal” no Espírito Santo, com Sandra Lúcia Ventorin Von Zeidler, da Ufes;

“Implantação do protocolo de detecção de HPV e monitoramento do novo Sistema de Estadiamento como estratégias para reduzir a morbi-mortalidade e aumentar a efetividade da conduta terapêutica em câncer de cabeça e pescoço”, com Sandra Lúcia Ventorin von Zeidler, da Ufes;

“Infecções sexualmente transmissíveis em mulheres vítimas de violência sexual atendidas em serviço de referência no Espírito Santo”, com Angelica Espinosa Barbosa Miranda, da Ufes;

 “Avaliação da microbiota intestinal de recém-nascidos de mães internadas por estados hipertensivos”, com Elisardo Corral Vasquez, da UVV;

 “Avaliação da qualidade de água na região do Caparaó Capixaba para delimitação de áreas prioritárias para investigação da exposição humana aos metais”, com Cristiane dos Santos Vergilio, da Ufes;

 “Estudo da qualidade do ar da região da Grande Vitória: Aspectos Químicos e Biológicos”, com Silvia Tamie Matsumoto, da Ufes;

“Acompanhamento, monitoramento e análise de informação da saúde da população ribeirinha pós-desastre: O SIMDESASTRE (Sistema de Monitoramento de Informação sobre desastre)”, com Adauto Emmerich Oliveira, da Ufes;

 “Tecnologia vestível para alerta e vigilância de atmosfera perigosa” com Karin Satie Komati, do Ifes;

 “Infecção do pé diabético: Uma abordagem econômica, microbiológica e de prevenção”, com Ricardo Pinto Schuenck, da Ufes;

 “Avaliação da incidência de infecção e perfil de agentes etiológicos relacionados a fraturas expostas após implementação de um protocolo de antibioticoprofilaxia pré-hospitalar”, com Ana Paula Ferreira Nunes, da Ufes;

 “Atenção Primária a Saúde e a Rede de Atenção às Pessoas com Doenças crônicas nas regiões de saúde: coordenação do cuidado e ordenação do acesso”, com Ana Paula Santana Coelho Almeida, da Ufes;

 “Desenvolvimento e Avaliação de uma Estratégia Baseada no Uso de Aplicativos Móveis para Melhorar a Adesão ao Tratamento da Tuberculose Latente”, com Ethel Leonor Noia Maciel, da Ufes;

 “Mapeamento dos acidentes de transportes terrestres e outras causas externas na população assistida pelo serviço de atendimento móvel de urgência”, com Luciana Carrupt Machado Sogame, da Emescam;

 “Identificação de transtornos mentais comuns e abuso de álcool/drogas no âmbito da atenção primária à saúde: Desenvolvimento de instrumentos informatizados de rastreio e avaliação diagnóstica”, com Maria Carmen Moldes Viana, da Ufes;

 “A influência dos determinantes precoces nos desfechos em saúde no período perinatal e neonatal”, com Wanêssa Lacerda Poton, da UVV;

 “Tecnologia Gerencial para avaliação do Sistema de Gestão Municipal Rede Bem-Estar do Município de Vitória-ES”, com Eliane de Fatima Almeida Lima, da Ufes.

 “Diagnóstico situacional e condição de saúde: Um estudo em usuários de serviços de hemodiálise no Espírito Santo”, com Luciane Bresciani Salaroli, da Ufes;

 “Reconciliação medicamentosa realizada por farmacêutico clínico hospitalar: análise da implementação e de desfechos clínicos e humanísticos”, com Lorena Rocha Ayres, da Ufes;

 “Organização e estruturação do serviço de farmácia clínica em farmácias de Atenção Primária à Saúde do município de Vila Velha”, com Tadeu Uggere de Andrade, da UVV;

“Estudo Biomecânico da Marcha de Indivíduos Amputados de Membro Inferior Atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, com Antônio Bento Filho, da Ufes;

 “Operacionalização e avaliação de um novo teste fenotípico capaz de, simultaneamente, isolar, identificar e determinar a sensibilidade de Mycobacterium tuberculosis a isoniazida e rifampicina”, com Moises Palaci, da Ufes;

“Avaliação do potencial terapêutico e potencialização da imunidade humana anti-leishmania pelo bloqueio de PD-1 e quinase p38”, com Daniel Claudio de Oliveira Gomes, da Ufes;

“Desigualdades socioespaciais e mortalidade perinatal: Análise de óbitos evitáveis para (re)orientação das práticas profissionais na região metropolitana da Grande Vitória, Espírito Santo, Brasil”, com Italla Maria Pinheiro Bezerra, da Emescan;

 “Metais pesados e o perfil antioxidante/pró-oxidante do leite humano: Relação com idade gestacional, estilo de vida da puérpera e com o crescimento e desenvolvimento dos lactentes”, com Marcio Fronza, da UVV;

“Adolescentes em situação de violência no Espírito Santo: Uma análise dos casos notificados”, com Franciéle Marabotti Costa Leite, da Ufes;

 “Avaliação de implementação da política de educação permanente em saúde na atenção primária no município de Vitória, Espírito Santo”, com Carolina Dutra Degli Esposti, da Ufes;

 “Cogestão como um modo de trabalho em saúde”, com Alexandra Iglesias, da Ufes;

 “Avaliação de parâmetros musculares isocinéticos do tronco e do equilíbrio postural de idosos com diferentes níveis de atividade física”, com Rodrigo Luiz Vancini, da Ufes;

 “Potenciais biomarcadores como preditores de câncer do colo do útero e anal por genótipos de HPV de alto risco em populações vulneráveis (soropositivos para HIV e mulheres quilombolas)”, com Liliana Cruz Spano, da Ufes;

 

Texto: Jair Oliveira / Edição: Samantha Nepomuceno