Ex-premiê de Portugal, Sócrates compara Operação Marquês a Lava Jato: “cá e lá, o juiz-herói construído pela mídia”


Em artigo publicado pela Folha de S. Paulo na noite deste sábado (10), o ex-primeiro ministro de Portugal José Sócrates, alvo de perseguição judicial no país, comparou a Operação Marquês a Lava Jato. Segundo ele, ambas tinham o mesmo modus operandi:

“Numa e noutra tivemos as mesmas conduções coercitivas, os mesmos vazamentos, a mesma prisão injusta, as mesmas acusações ignominiosas e estapafúrdias, a mesma cumplicidade do jornalismo, a mesma instrumentalização política do combate à corrupção. Nos dois casos, tivemos também a mesma escolha viciada do juiz, o juiz que nunca esteve acima das partes, mas ao lado de uma delas, o Ministério Público. Cá e lá, o mesmo personagem, o juiz-herói construído pela indústria midiática. Aí, um medíocre ativista político; aqui, um figurante um pouco mais cômico. De um lado e do outro do Atlântico, a mesma violência, a mesma brutalidade, o mesmo ódio político. O ‘lawfare’ é uma guerra de extermínio”, escreveu.

Dias atrás, o juiz Ivo Rosa, responsável pela Operação Marquês, derrubou todas as acusações por corrupção contra Sócrates, que comandou o país de 2005 a 2011.

“Quase sete anos depois de eu ter sido preso, a Justiça portuguesa confirmou que a acusação, no que diz respeito à mais grave acusação de corrupção, não tem indícios, não tem provas, não tem fundamento —como vocês dizem aí, a denúncia não tem mérito para ir a julgamento. O mesmo é valido para os crimes de fraude fiscal. Pronto, é isto, e já é bastante. No final, nenhuma das alegações de corrupção é verdadeira”, declarou o ex-premiê.

Para Sócrates, a razão que explica o que foi feito pela Operação Marquês é a mesma que explica a Lava Jato no Brasil. “Como foi possível isso acontecer? Como foi possível acusarem durante sete anos um político de um crime ignominioso sem terem o mínimo de respaldo nos fatos? A resposta é dura, mas tem de ser dita. O que aconteceu foi que o sistema judicial português foi manipulado para perseguir um adversário político. O que aconteceu foi que o sistema judicial, com a desculpa do combate à corrupção, foi usado para fins estranhos à Justiça, mas familiares à política —retirar alguém do espaço publico e impedir a sua candidatura a presidente da República”.

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