Europa, China e Índia vivem crise energética que pode levar a desaceleração global


Os dois países mais populosos do mundo, China e Índia, também vivem uma crise energética no país, somando-se ao Brasil e à Europa (que pode experienciar uma catástrofe à medida que o inverno chega ao velho continente). A crise ameaça a economia asiática, que pode sofrer com a inflação, e, assim, pode levar a uma desaceleração global da economia.

China

A China, que é a segunda maior economia do mundo, pode ter toda sua produção industrial afetada pela falta de energia, o que ocorre junto a um possível colapso do mercado imobiliário, como foi visto com a empresa Evergrande.

Porta-voz do capital financeiro mundial, The Wall Street Journal afirmou que a quebra de energia no gigante asiático provavelmente piorará o já sentido “aperto global de energia”, podendo assim prejudicar a recuperação econômica pós-pandemia.

A crise energética em questão também poderá colocar mais pressão sobre as cadeias de suprimento globais ao aumentar os preços das matérias-primas e outros componentes essenciais.

Índia

Na Índia, o país sofre com a escassez de carvão, crucial para gerar a eletricidade que sustenta sua produção industrial e seu crescimento no geral, pois cerca de 66% da produção total de eletricidade da Índia vem de usinas termelétricas a carvão. 

Em 3 de outubro, foi anunciado pelo Ministério de Energia que as 135 usinas termelétricas do país tinham estoques de carvão para apenas quatro dias. De acordo com dados da Autoridade Central de Eletricidade da Índia, quase 80% das usinas movidas a carvão do país estavam no estágio crítico, ou “supercrítico”, o que significa que seus estoques poderiam acabar em menos de cinco dias.

Europa

A situação na Europa pode levar a um racionamento de energia em pleno inverno. O custo do gás na Europa se multiplicou por cinco em um ano e continua a aumentar, tornando improvável que a crise diminua antes da primavera. O aumento dos preços do gás natural também elevou a inflação nos 19 países da zona do euro, de acordo com dados do Eurostat divulgados recentemente.

O gás natural é o segundo combustível mais consumido nos 27 Estados-Membros da UE, depois do petróleo e seus derivados. A União Europeia teve que importar quase 90% de seu gás natural de fora das fronteiras europeias em 2019, e desses, 40% vieram da Rússia, de onde o abastecimento caiu este ano.

Na mais recente cimeira informal da UE, na Eslováquia, os Ministros da Economia e Finanças de Espanha, República Checa, França, Grécia e Roménia apresentaram uma declaração conjunta solicitando aos restantes parceiros europeus uma maior cooperação para adquirir gás em conjunto e contribuir para a redução de preços.

De acordo com análises da Wood Mackenzie, uma empresa global de pesquisa e consultoria, a única maneira de a Europa Ocidental resistir a um inverno frio será por meio de um adicional de gás russo.