EUA estariam ‘irritados’ com planos de Berlim de comprar Sputnik V citando sanções anti-russas

Sputnik Brasil Berlim pode desencadear uma crise diplomática com os EUA se prosseguir com planos para solicitar a vacina russa Sputnik contra a Covid-19, informou um tabloide alemão.

A informação de que a Alemanha iniciou negociações bilaterais com a Rússia para discutir a aquisição de doses da vacina russa Sputnik V contra a Covid-19, caso o imunizante seja aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês), não agradou os EUA, afirma o tabloide Bild.

De acordo com a mídia, a movimentação irritou Washington, com fontes diplomáticas não identificadas dizendo ao tabloide que a medida poderia ser encarada como uma violação das sanções impostas recentemente contra a Rússia.

Legisladores dos EUA estariam “irritados” com a percepção de um duplo comportamento na política alemã, simultaneamente defendendo a causa do opositor russo Aleksei Navalny, enquanto também contempla a compra da vacina de Moscou.

Negociações Alemanha-Rússia

O Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo) e representantes do governo alemão começaram a estudar a possibilidade de a Alemanha adquirir a vacina russa Sputnik V na semana passada.

As discussões estão ocorrendo apesar da EMA alertar que uma decisão sobre liberar ou não a vacina para uso pelos Estados-membros da União Europeia ainda pode demorar semanas. O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, disse na quinta-feira (8) que “discutiríamos bilateralmente com a Rússia, em primeiro lugar, para saber quando e quais quantidades poderiam ser entregues”.

Diversos países europeus já autorizaram o uso da vacina russa, como Hungria, Eslováquia, San Marino, Sérvia, Montenegro e Macedônia do Norte.

Muito além da vacina

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou anteriormente que a indústria farmacêutica está ativamente fazendo lobby contra o uso do Sputnik V na Europa.

Além disso, a irritação norte-americana não é apenas por causa das vacinas russas. Os EUA não veem com bons olhos o acordo entre Berlim e Moscou para construir um dos maiores gasodutos do mundo, o Nord Stream 2 (Corrente do Norte 2), com conclusão prevista ainda para este ano. O projeto tem sido alvo de sanções de Washington, que afirma que o gasoduto é uma “grave ameaça” à “segurança energética da Europa e à segurança nacional norte-americana”.

No entanto, tem há especulações de que a posição dos EUA é impulsionada pelo desejo de vender grandes quantidades de gás de xisto norte-americano ao continente europeu. De acordo com o portal Politico, um refrão comum em Berlim é que “os norte-americanos não se importam com a Rússia, eles só querem nos vender seu gás mineral”.

 

 

(Foto: Sputnik/Mikhail Allaeddin)

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