Eterno candidato, nunca eleito, morreu de Covid Levy Fidelix

Num sistema político pluripartidário como o brasileiro, menos de dez legendas dividem efetivamente o poder e menos de cinco são, de fato, protagonistas. Mas, para que isso ocorra, precisam das “escadas”, que na arte cênica é aquele eterno ator coadjuvante que faz o caminho para que o protagonista suba em cena e brilhe.

Assim pode ser visto o político José Levy Fidelis, que morreu em função da Covid aos 69 anos de idade na noite de sexta-feira(23). Mais conhecido apenas como Levy Fidelix, ele estava internado desde março em um hospital particular de São Paulo. Seu estado se complicou e o levou a óbito.

Levy Fidelix era um político de posições profundamente conservadoras, em alguns momentos até constrangedoras, como quando, ao se manifestar contra as uniões homoafetivas na campanha de 2014, num debate na TV Record, disse, conforme registro do Correio Braziliense:

“Pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho. E digo mais, digo mais: desculpe, mas aparelho excretor não reproduz”.

Natural de Mutum(MG), onde nasceu em 1951, Levy Fidelis morou por algum tempo na região Noroeste do Estado, conforme revelou de certa feita o então deputado Enivaldo dos Anjos, quando conversou com o líder do PRTB sobre a possibilidade de entrar no partido e presidi-lo no Estado. O assunto não evoluiu.

PARTIDO DE MOURÃO

Levy Fidélix é bem conhecido do eleitor brasileiro, talvez o mais longevo político-escada desde o restabelecimento do pluripartidarismo, no início dos anos 80 do século passado. Como fundador e presidente do PRTB – Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, era figura garantida nas eleições estaduais de São Paulo e nacionais, concorrendo a Presidente da República na maioria delas, exceto em 2018, quando finalmente o partido dele subiu efetivamente ao palco oferecendo o vice-presidente General Mourão à chapa de Jair Bolsonaro, então no PSL.

A morte de Levy foi comunicada em nota do PRTB como a de um grande líder político nacional: “É com profunda dor e pesar que o PRTB, por sua diretoria, comunica o falecimento do nosso Líder, Fundador e Presidente Nacional Levy Fidelix, ocorrida nesta data na cidade de São Paulo”.

“Nosso eterno líder deixa como legado o dinamismo, o bom combate , a criatividade, a honradez, a lisura em suas ações e a fé inabalável, que norteram sua vida pública e privada”.

“Como um brasileiro notável, nunca se furtou aos grandes debates nacionais e de forma direta contribuiu para uma nação mais justa, defendendo a vida, as liberdades individuais e o equilíbrio entre passado, presente e futuro, em prol do bem comum. Descanse em paz homem do Aerotrem!”

O jornalista Léo Gregorio, da revista Quem, do grupo Globo, registrou que Levy Fidelix se tornou conhecido pelo seu principal projeto, o aerotrem, que ganhou um vídeo sobre o meio de transporte e um jingle que ficou bem conhecido em todo o Brasil. “Vem, vem, vem / Vem que tem / Levy Fidelix / É o homem do Aerotrem”.

Fidelix deixa sua mulher, Aldinea Rodrigues Cruz, e uma filha, Lívia Fidelix, que tentou se eleger deputada nas eleições de 2018, na onda do bolsonarismo, sem sucesso.

Fidelix se formou em Comunicação Social e começou a carreira como publicitário, trabalhando também em jornais como Correio da Manhã e Última Hora.

Já na política, trabalhou como assessor de comunicação e foi um dos fundadores da revista empresarial “Governo e Empresa” e também da revista política “O Poder” e, nos anos 1980, trabalhou como apresentador de TV, em que entrevistava especialistas em tecnologia e políticos.

Empreendeu na política a partir de 1986, quando concorreu à sua primeira eleição, como candidato a deputado federal por São Paulo e depois tentou se eleger como deputado federal, mas sem sucesso em ambos os casos.

Em 1989 e 1990 trabalhou como assessor de comunicação na campanha do então candidato à presidência da república Fernando Collor de Mello, que seria eleito. Em 1996, foi candidato à prefeitura de São Paulo e, em 1998, a governador do estado.

Em 2002, voltou a se candidatar a governador do estado de São Paulo, a vereador em 2004 e a deputado federal em 2006. Em 2008 foi candidato a prefeito de São Paulo e, fora do segundo turno, apoiou a então candidata Marta Suplicy, que seria eleita.

Para presidência da república, Levy se candidatou em 2010 e ficou em sétimo lugar entre os nove candidatos da disputa, apoiando Dilma Roussef no segundo turno. Em 2011, tentou novamente o cargo de prefeito da cidade de São Paulo, novamente sem conseguir se eleger.

Levy tentou a presidência novamente em 2014 e, sem ir para o segundo turno, apoiou Aécio Neves, que perdeu a eleição para Dilma Roussef, reeleita. Em 2018, apoiando Jair Bolsonaro, concorreu ao cargo de deputado federal pelo estado de São Paulo, mas não conseguiu se eleger.

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