Espírito Santo tem R$ 600 milhões investidos em 290 obras públicas paradas

 

Obras públicas avaliadas em cerca de R$ 600 milhões estão paradas, algumas iniciadas há mais de uma década, no Espírito Santo. Em um levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) apontou 290 edificações inacabadas que foram abandonadas.

A reportagem é de Roger Santana, da TV Gazeta e aponta que são canteiros de obras sem operários, máquinas e qualquer previsão de acabamento.

“Uma obra paralisada é uma ponta do iceberg, ela mostra que tem um problema muito grande naquela região ou naquele município. É muito importante então o gestor avaliar essas situações e condições dessa obra e verificar se ele deve retomá-la e fazer uma análise realista, técnica, pautada e profunda das condições dessa obra”, pontua Flávia Holz, coordenadora do TCE-ES.

Das 290 obras apontadas no levantamento do Tribunal de Contas, 219 são municipais e 67 do governo do estado. Outras 4 do Ministério Público do Espírito Santo.

Quando a obra não chega ao fim quem fica na mão é a comunidade, como acontece com os moradores de Inhanguetá, em Vitória, que esperam há mais de 10 anos por uma escola nova. O investimento foi de R$ 6 milhões e, até hoje, o endereço que seria do colégio é só um terreno cheio de mato e o esqueleto de um prédio.

Enquanto isso, as crianças têm que se contentar com a Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Regius Neves Freire que não oferece condições adequadas.

“As salas são improvidas, o cheiro de mofo é impossível, não tem pátio para Educação Física e cercado de mato. É um local que não tem condições alguma de crianças estudarem”, conta a enfermeira Franciane Machado, moradora de Inhanguetá.

Vitória e Cariacica são as cidades com maior número de obras que não foram a frente, 50 ao todo, a maioria de infraestrutura e transporte.

Sem previsão

Das 290 obras paradas no estado, mais da metade, 167, não tem qualquer previsão de serem retomadas. O Tribunal de Contas concluiu que muitas paralisações acontecem por falta de planejamento. Durante a execução da obra, surgem problemas técnicos e é necessário parar tudo, rever o projeto e mudar o orçamento.

Para os conselheiros do TCE-ES, um planejamento mais cuidadoso poderia evitar esse atraso.

“Um projeto melhor resolvido, mais específico para aquela obra, para que não tivesse que ficar paralisando para acertar ou fazer aditivo. E, às vezes, há situações que não se consegue nem começar direito uma obra”, explicou a auditora do TCE, Ana Emília Thomaz.

O Tribunal de Contas vai entregar o relatório aos prefeitos, ao governo do Estado e ao Ministério Público do Espírito Santo, que deverão usá-lo para decidir como retomar as obras e o tribunal vai acompanhar e cobrar resultados.

“O relatório traz dados sobre o que já foi pago, qual a obra, qual é a fonte do investimento. Para quem é um gestor que está entrando agora em um município, isso é importante, pois ele já vem com o retrato do passado, não precisará levantar tudo”, pontua Ana Emília.

Ao falar de obras paradas, não tem como não lembrar do Cais da Artes, na Enseada do Suá, Vitória, que está há nove anos sem previsão de término. Foram R$ 127 milhões de um projeto que seria para as artes e a cultura e virou um símbolo do desperdício e do mau uso do dinheiro público.

“Essas obras todas já deveriam ter sido dimensionadas desde o começo. É uma falha de fiscalização ou ineficiência do estado, que não pode aparecer durante a execução”, pontuou o advogado Alexandre Zamprogno.

Em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, o diretor do Instituto de Obras Públicas do Estado, Luiz César Mareto, disse que todas as obras do governo estadual serão retomadas gradativamente. Sobre o Cais das Artes, ele disse que não há previsão de continuar as edificações devido a um processo judicial.

Escola inacabada Inhanguetá, Vitória

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Obras do Cais das Artes, em Vitória, se arrastam há 9 anos

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ES tem 290 obras paradas

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