Espírito Santo pode chegar a ter 100 mortes por Covid-19 por dia, diz secretário

 

O Espírito Santo pode chegar a ter 100 mortes por dia por causa da Covid-19. A informação foi dada pelo secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, em coletiva de imprensa realizada pelas redes sociais na tarde desta segunda-feira (5).

De acordo com Nésio, o estado chegou nesta segunda ao número de 1.880 casos confirmados e 80 mortes registradas em 24 horas. O maior número de óbitos em um só dia, em toda a pandemia, aconteceu no dia 29 de março, quando o Espírito Santo registrou 89 mortes em 24 horas.

O secretário explicou que o critério de testagem será ampliado para todos os pacientes que chegam com sintomas a uma consulta na rede básica de saúde. Com o aumento da testagem, o número de casos e mortes detectadas pela doença também deve aumentar.

“Queremos ver, ao longo do mês de abril, um período de testagem massificada, não vivido antes no enfrentamento da pandemia no estado. Todo e qualquer paciente, na hora da consulta na rede básica, deverá realizar o teste de antígeno, sem aguardar a janela para RT-PCR”, explicou o secretário.

“Com a mudança da metodologia de testagem, é possível que os casos observados nas próximas semanas possam aumentar. O mesmo correu no ano passado, quando a capacidade de testagem foi ampliada”, esclareceu.

Durante a coletiva, o secretário adiantou que, ainda no mês de abril, todo o estado deve começar a vacinar a população acima dos 60 anos de idade.

O secretário disse que a pandemia no Espírito Santo está caminhando para uma estabilização no número de casos e de mortes, mas que ainda há um crescimento de internações pela doença.

“Nós estamos desde o dia 26 de março apresentando o início de uma estabilização muito alta no número de casos. Ainda é precoce afirmar que atingimos um teto. As internações continuam crescendo. Percebemos, desde a semana passada, uma redução nas internações de casos que não são de Covid-19”, disse.

Além disso, o secretário afirmou de que, já nesta semana, já será possível ver uma estabilização no número de mortes em consequência da quarentena, que foi estabelecida pelo governo como uma forma de frear a interação social e conter o avanço da doença.

“Temos a expectativa de que o comportamento dos óbitos possa variar próximo àquilo que ocorreu na última semana. Podemos ver o início de uma estabilização dos óbitos a partir dessa semana, com variação de 15 a 20% dos óbitos da semana anterior. Entendemos que os resultados da quarentena poderão ser observados a partir da próxima quinzena”.

De acordo com o secretário, atualmente, cinco pacientes estão aguardando leitos de UTI no estado. Outros 88 pacientes estão em atendimento pelo Samu.

Nésio esclareceu, ainda, que nem todos os pacientes que estão internados em Pronto-atendimentos no estado estão aguardando internação hospitalar.

“Uma parte grande desses pacientes acaba evoluindo a alta dentro de 18 a 36 horas nesses serviços. Eles acabam tendo um grau de estabilização e tendo alta para seus domicílios. Temos um conjunto de pacientes que são encaminhados para regulação do estado. Esses, ainda precisam ser avaliados, porque nem todos reúnem características clínicas necessárias para internação hospitalar. Essa avaliação é importante, porque se internamos toda e qualquer solicitação feita pelo serviço pré-hospitalar, nós não teremos em nenhum momento vagas para aqueles que precisam”, explicou.

O subsecretário de vigilância epidemiológica, Luiz Carlos Reblin, recuperado da Covid-19, aproveitou para agradecer o apoio que teve nos dias de isolamento por causa da doença. Ele afirmou que tratou a doença apenas com um antitérmico e com muita hidratação, baseado no que o médico receitava e nas recomendações científicas sobre a doença.

“Quero agradecer todas as manifestações que recebi, em meu nome e da minha esposa, de tantas pessoas que ao longo do tempo conhecemos, de amigos, parentes, colegas de trabalho. Adoeci pela Covid-19, também a minha esposa, e passamos por essa doença sendo cuidados conforme a ciência recomenda: pela boa prática do conhecimento técnico e científico, e do médico que nos acompanhou. Praticamente só utilizei, ao longo desse tempo todo, um antitérmico e hidratação. Um recado para quem está com essa doença é para que se hidrate. Assim como a dengue, a hidratação é a palavra chave”, disse.

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