Espírito Santo já registra 7 mil golpes virtuais a mais que em todo o ano passado • SiteBarra

Espírito Santo já registra 7 mil golpes virtuais a mais que em todo o ano passado

De janeiro a novembro de 2021 foram mais de 30 mil golpes, contra cerca de 22,5 mil em 2020. Especialistas afirmam que sempre que golpes são bem sucedidos, o usuário deixou alguma medida de segurança vulnerável.

Por Aurélio de Freitas, TV Gazeta

Os golpes pela internet não são uma novidade e, a cada dia, eles crescem mais e se tornam mais criativos. De janeiro à novembro de 2021, o Espírito Santo registrou 30.120 crimes virtuais, número que já supera em 7.444 o total de todo o ano passado, 22.676.

Como muitos empreendedores, a microempresária Jana Simão divulga, através de um perfil nas redes sociais, o trabalho de organização de festas que realiza. Mas, há poucas semanas, a conta que ela utiliza foi invadida e Jana viu o ganha-pão se tornar uma grande dor de cabeça.

“Eu estava ali vendo o perfil de um hotel, entrei lá e saí. Quando eu saí, as pessoas já começaram a me ligar, meu telefone começou a tocar disparado. Aí, quando as pessoas me ligavam [perguntavam] ‘Jana, o que é isso que você tá vendendo?’ e eu falava ‘não estou vendendo nada’. Aí eu desliguei e fui acessar a conta, quando entrei já apareceu ‘você foi deslogada'”, relataouJana.

Ela tentou recuperar o acesso pelo celular, e-mail e até perfil em outra rede social, mas os golpistas haviam modificado as informações de segurança dela.

Com o controle sobre a conta de Jana, os criminosos aplicaram vários golpes. Publicaram anúncios de celular, mesas e máquinas de lavar. Os produtos, é claro, não eram entregues.

No período em que ficou sem acesso a sua conta na rede social, Jana deixou de vender mais de R$ 10 mil em serviços que ela oferece.

“Um prejuízo sem fim, tanto para as pessoas [que caiam nos golpes] quanto pra mim que fiquei sem trabalhar esses cinco dias, porque a maioria do nosso trabalho é ali dentro da rede social. Eu não conseguia trabalhar, porque eu fiquei envolvida com isso, tentando recuperar e as pessoas não serem mais lesadas. Foi um transtorno muito grande”, contou.

Criminosos aproveitam vulnerabilidade na segurança para invadir contas e tomar perfis — Foto: Reprodução/TV Diário

Criminosos aproveitam vulnerabilidade na segurança para invadir contas e tomar perfis — Foto: Reprodução/TV Diário

Para o especialista em segurança pública Rogério Fernandes Lima, sempre que um ataque virtual é bem sucedido e os criminosos conseguem roubar perfis de outras pessoas, alguma medida de segurança falhou, facilitando o acesso.

“Nesse mundo digital em que as informações transitam por todos os setores, é importante que as pessoas sempre tomem cuidado, porque qualquer um de nós está sujeito de ter uma conta invadida. Agora, sempre que isso acontece, a gente falhou em algum momento, deixando um espaço aberto para que esse invasor nos ataque”, explicou Lima.

A esteticista Ariene Rodrigues chegou a ter um conta com mais de 11 mil seguidores nas redes sociais. Depois que teve a conta invadida, além de perder parte dos seguidores, ela ainda sofre ameaças de quem caiu no golpe.

“Cada dia é uma, duas, três pessoas que entram em contato, foram várias pessoas que entraram em contato. São várias ameaças e uma disse assim, inclusive ‘você está correndo risco de vida'”, disse

O caso da esteticista não teve solução e ela precisou criar um novo perfil, mas deixando claro que não tem nenhum envolvimento no golpe do qual ela também foi vítima.

Já a microempreendedora Jana procurou a polícia e registrou uma ocorrência. Ela conseguiu ter a rede social recuperada, mas por esforço próprio. Mesmo assim, as duas vítimas afirmam que as perdas são inestimáveis.

“O meu fluxo de vendas diminuiu, caiu 70%. Muita gente conseguia ver, era uma página de bastante movimento, então a pessoa seguia e a rede social passava [dava alcance] para as informações que a gente publicava. Hoje eu tô com uma página que tem 230 pessoas seguindo”, lamentou Ariene.

Por isso, o especialista orienta a sempre desconfiar dos anúncios, principalmente aqueles que têm facilidades demais.

“Parar, refletir e criar a dúvida. Se a proposta é muito boa, é muito tentadora, é preciso duvidar dessa proposta antes de fechar qualquer acordo”, alertou.