Espécie de baleia é registrada pela primeira vez no Espírito Santo

Uma baleia da espécie minke-anã foi flagrada pela primeira vez no litoral do Espírito Santo. O animal nadava na plataforma da Grande Vitória, a poucas milhas da capital, e foi registrado por pesquisadores do Jubarte.Lab na última semana A reportagem é de Luiza Marcondes, do G1 ES. assista no vídeo aqui

De acordo com o coordenador do Jubarte.Lab, Thiago Ferrari, a minke-anã nunca tinha sido registrada no litoral capixaba.

“É uma espécie muito arredia, solitária e que – diferente das jubarte – não costuma se aproximar das embarcações”, explicou Ferrari.

De acordo com o pesquisador, a identificação do animal só foi possível porque o projeto faz monitoramentos com o auxílio de um drone. As filmagens em alta resolução foram posteriormente analisadas pelo laboratório e constatado que o animal registrado era da espécie minke-anã.

“Ela tem uma mancha branca na nadadeira peitoral que a diferencia da minke-antártica. Embora coloquem que existe a incidência desse cetáceo na maioria dos estados brasileiros, é a primeira vez que registamos um animal vivo no Espírito Santo”, disse Ferrari.

O Jubarte.Lab monitora a passagem de cetáceos, que são mamíferos aquáticos como baleias, botos e golfinhos, desde 2014. Nesse período, os únicos registros de minke-anã eram de animais encalhados ou de relatos.

“São relatos de que foram avistadas, mas a olho nu é praticamente impossível identificá-las. Esse é o primeiro registro científico”, informou.

Um adulto dessa espécie pode chegar a 9 metros e pesa, em média, 10 toneladas. A minke-anã é quase metade do tamanho de uma jubarte, que é mais comum na costa do Espírito Santo entre os meses de junho e novembro. As jubarte medem até 16 metros e podem pesar 40 toneladas.

Ao contrário das jubarte, que têm os hábitos migratórios e reprodutivos pesquisados, Ferrari afirma que pouco se sabe sobre a minke-anã.

O registro da baleia vai integrar o relatório anual do projeto que é apresentado ao Instituto Estadual de Meio Ambiente (IEMA). A descoberta, de acordo com o pesquisador, contribuiu para a difusão científica e poderá servir de base para a produção de artigos e preservação da espécie.

A expectativa é de que 20 mil jubarte passem pela costa brasileira em 2021. Todos os anos, as baleias saem da Antártica para se alimentar e se reproduzirem nas águas quentes do Brasil.

O destino delas é o berçário de Abrolhos, no Sul da Bahia. O Espírito Santo faz parte da rota de migração das gigantes e grupos de pesquisadores acompanham a passagem delas anualmente pelo estado.

Ferrari explica ainda que grupos de cetáceos que tinham desaparecido da costa brasileira estão voltando a ocupar áreas após a proibição da caça desses animais no Brasil.

“Observamos um número crescente de baleias e isso vira um dado turístico de grande importância, porque podemos ter um desenvolvimento econômico sustentável com a observação desses animais.”

Baleia minke-anã é registrada pela primeira vez no Espírito Santo — Foto: Luciano Cajaíba/ Jubarte.Lab

Baleia minke-anã é registrada pela primeira vez no Espírito Santo — Foto: Luciano Cajaíba/ Jubarte.Lab