ES: profissionais de hospital leem cartas de familiares para pacientes com Coronavírus

Desde o início das internações pela doença, o Hospital Jayme Santos Neves, referência no tratamento da Covid-19 no estado, recebeu mais de 1.600 cartas para pacientes.


Os pacientes com Covid-19 internados no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra, na Grande Vitória, estão recebendo cartas de amigos e familiares com mensagens de esperança para enfrentar o tratamento da doença.

Por causa dos altos níveis de contágio do coronavírus, quem testa positivo para a doença fica em isolamento e não pode ter contato com a família.

Sem a presença dos familiares para enfrentar a doença, a forma encontrada pelos hospitais para que os pacientes se sintam mais acolhidos foi a leitura de cartas e chamadas de vídeo.

Segundo a direção do hospital, que é referência no tratamento da Covid-19 no estado, como muitos pacientes da doença estão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), eles não tem condição de mexer no próprio celular e o contato com os familiares fica mais difícil. Por isso, as cartas têm ganhado muito mais força que as videochamadas.

“São famílias que ficam por 24 horas sem notícia do ente querido, que está isolado dentro de um quarto. A nossa intensão é nos aproximarmos mais dessas pessoas para que elas melhorem”, explicou a coordenadora da equipe multi, Fabiana Colares Santos.

Na leitura da mensagem, o sentimento de angústia dos pacientes vai virando esperança. “A gente se emociona muito”, relatou Sandro Coelho Antônio, de 51 anos, internado no hospital.

Desde que os casos de hospitalização de pacientes de Covid-19 aumentaram, em abril, o hospital recebeu 1.600 cartas por e-mail. Elas são todas impressas e lidas por profissionais da equipe médica.

Só neste final de semana, os psicólogos leram 98 cartas. As mensagens emocionam não só os pacientes como também os profissionais que fazem a leitura.

“É muito gratificante levar essas mensagens e ser mediadora disso é importantíssimo como profissional, como pessoa mais ainda, mas como profissional é muito gratificante”, contou a psicóloga Simone Eutrópio.

O psicólogo Osias de Abreu contou que um paciente entubado se lembrou da leitura de uma carta depois que melhorou.

“Eu li para ele quando estava entubado. Ele foi melhorando e melhorou. Claro, não tem nenhuma comprovação científica para isso, mas ele disse que se lembrava do que eu tinha lido. Eu perguntei qual familiar tinha mandado a carta e ele disse que foi uma nora dele”, contou.

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