ES: falta de medicamento para sedação em UTIs pode afetar retorno de cirurgias eletivas

Segundo o CRM, a falta dos medicamentos em razão da pandemia do coronavírus já tem prejudicado o tratamento de pacientes da Covid-19 e de outros em estado grave.

Falta de medicamento para sedação em UTIs pode afetar retorno de cirurgias eletivas no ES — Foto: Carlos Palito/TV Gazeta

Por Maíra Mendonça, G1 ES

A falta de medicamentos de intubação e de sedação não só vem prejudicando o tratamento dos infectados pela Covid-19 e de outros pacientes graves internados em UTIs, como também já traz preocupações em relação ao futuro. Sem eles, o calendário de cirurgias eletivas, que foram adiadas em função da pandemia do coronavírus, não poderá ser colocado em dia.

“O que me preocupa é quanto tempo vai durar essa escassez. Daqui um ou dois meses nós teremos um novo normal, em que muitas cirurgias eletivas, que podiam ser adiadas por um tempinho, terão que voltar a acontecer. Mesmo as cirurgias de câncer poderão ser prejudicadas”, pontuou o coordenador do Comitê de Crise para o Enfrentamento da Covid-19 do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), Paulo Gouvêa.

Segundo Gouvêa, a falta dos medicamentos, provocada pelo aumento da demanda durante a pandemia, é uma realidade em hospitais públicos e particulares de todo o Espírito Santo e do país.

São hipnóticos, analgésicos, bloqueadores neuromusculares e drogas de suporte hemodinâmico (que servem para controlar a pressão arterial), que são usadas em anestesias e em unidades de terapia intensiva.

Conforme explicou Gouvêa, que é médico anestesiologista, tais medicamentos são necessários em cirurgias como de hérnia, de vesícula e de câncer, bem como em exames que exigem a sedação dos pacientes para serem realizados.

Muitos desses procedimentos, que demandam leitos de UTI no período pós-operatório, precisaram ser adiados em razão da pandemia. O G1 perguntou à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) quantas cirurgias eletivas foram temporariamente suspensas, mas ainda não houve retorno.

O médico pontuou que, atualmente, já chegam relatos ao CRM de cirurgias que precisaram ser adiadas em hospitais do Espírito Santo em razão do contingenciamento.

No Sul do Espírito Santo, a Santa Casa de Guaçuí informou nesta quinta-feira (25) que só possui estoque do medicamento de sedação para mais sete dias. O hospital diz que os fornecedores não dão prazo para que o remédio seja entregue na região.

Já no Hospital Evangélico de Itapemirim, dos 20 leitos de UTI disponibilizados para os doentes da Covid-19, três estão fechados em função do mesmo problema.

Substituição é menos eficiente

No caso dos pacientes da Covid-19 e de outros com doenças graves, que estão internados em UTIs, a saída encontrada tem sido a substituição das drogas por outras com menor eficiência.

Segundo Gouvêa, por não serem de primeira linha, os medicamentos substitutos, quando alcançam o efeito esperado, podem gerar mais efeitos colaterais, já que são menos assertivas.

Faltou planejamento

Segundo Paulo Gouvêa, nos hospitais onde os medicamentos ainda não faltam, a compra deles tem sido feita em pequenas quantidades.

Uma outra constatação é que os preços estão muito mais altos. “Isso é lamentável. Soa como uma manobra mercantilista, predadora, de se aumentar o preço de medicamentos em um momento de escassez”, pontuou o coordenador do comitê de crise do CRM.

Tendo em vista que a pandemia do coronavírus já se estende por três meses no Brasil e que a falta das drogas também foi uma realidade vivida por outros países que enfrentaram o vírus, Paulo afirma que há uma falta de planejamento em relação ao assunto, que pode implicar em sérias consequências para o sistema de saúde.

“A gente esperava que as indústrias, distribuidoras e autoridades ligadas ao setor providenciassem um suporte adequado de fornecimento. Mas isso não aconteceu”, disse Gouvêa.

Em coletiva de imprensa nesta quinta, o governador Renato Casagrande (PSB) ressaltou que o Governo Federal precisa interferir na questão.

“A coordenação do Governo Federal na compra desses medicamentos é fundamental e o Congresso pode nos ajudar nesse trabalho”, disse.

Gouvêa concorda. “O governo estadual pouco pode fazer nesse caso. Mas o federal tem a Câmara da Indústria Farmacêutica, o Ministério da Saúde, a Anvisa, que podem legislar, melhorar a produção e a distribuição desses medicamentos” explicou.

 

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