ES: empresa é investigada por roubar projetos de concorrente para ganhar licitações

Prejuízo estimado pela vítima é de R$ 60 milhões em 12 licitações.

Delegacia Patrimonial em Vitória, onde fica a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)

Delegacia Patrimonial em Vitória, onde fica a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (22), uma operação que investiga a fraude em licitações de iluminação pública de municípios do Espírito Santo. Desde 2017, a empresa vítima teria perdido R$ 60 milhões em contratos. A reportagem é de Daniela Carla e Luiza Marcondes, da TV Gazeta e G1 ES.

A investigação para a Operação Natal Luz, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), começou em 2019 depois que uma empresa de Vitória que atua no ramo de iluminação procurou a polícia para denunciar que uma concorrente estaria roubando dados dos projetos elaborados por ela.

Segundo o titular da DRCC, delegado Brenno Andrade, a empresa descobriu um tablet desconhecido conectado à sua conta de e-mail. Pelas informações do dispositivo, foi descoberto que ele estava localizado em uma concorrente na Serra, na Grande Vitória, e também estava logado na rede de internet dessa empresa.

Dessa forma, a empresa vítima suspeitava que a concorrente teve acesso a todas as informações sobre os projetos e oferecia sempre o menor preço em processos de licitação que as duas disputavam.

A empresa vítima avalia que, desde 2018, a fraude tenha causado prejuízo de R$ 60 milhões, em 12 processos de licitações de prefeituras da Grande Vitória, Norte e Sul do Espírito Santo.

Andrade explicou que, para a conta, foram considerados apenas os certames em que as duas concorreram e a vítima teria ficado em segundo lugar, perdendo para a empresa investigada.

Na manhã desta terça, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão e encontrou o tablet usado para a invasão da conta.

O delegado relatou que o dispositivo estava na mesa do gerente da empresa investigada. Segundo o delegado, a vítima desconectou o tablet depois de denunciar o caso para a polícia, mesmo assim, as credenciais do e-mail ainda estavam salvas. Além dos processos de licitação, a concorrente ainda teria acesso a informações jurídicas e de funcionários.

O material apreendido será analisado e a investigação vai continuar. Em uma nova fase, o empresário suspeito de fraude será intimado. Ninguém foi preso.

“A gente já verifica que existe um crime de invasão de dispositivo de informática e também a suposta fraude de licitação, uma vez que ela tinha acesso a toda a planilha da empresa vítima e de quanto ela ia apresentar nas licitações que participava”, informou o delegado.

Segundo o chefe da Polícia Civil, Darcy Arruda, a fraude causa prejuízo não só para a empresa, mas também para o serviço público.

“É um trabalho importantíssimo no trabalho de combate a corrupção, porque não só a empresa é vítima como também o poder público que vai ter o serviço contratado fornecido por uma empresa que não está de fato qualificada para isso”, declarou.

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