ES: com custo de mais de R$ 250 mil, Centro de Quarentena atendeu 11 pessoas

Ao todo, o orçamento para o projeto é de R$ 1,8 milhão. A Prefeitura de Vitória calculou receber 800 pacientes até o final do ano.

Centro de Quarentena foi montado no Sambão do Povo, em Vitória — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Por Jorge Félix, G1 ES e TV Gazeta

Após um investimento parcial de mais de R$ 250 mil, o Centro de Quarentena montado no Sambão do Povo, em Vitória, só acolheu 11 pessoas até agora. A estrutura foi montada no início de julho para isolar pacientes com Covid-19 que vivem em situação de vulnerabilidade.

Ao todo, o orçamento para o projeto é de R$ 1,8 milhão. A Prefeitura de Vitória calculou receber 800 pacientes até o final do ano.

Até agora, 21 pessoas passaram pelo Centro de Quarentena, mas só metade aceitou o acolhimento e isolamento. Atualmente, quatro pessoas estão sendo atendidas.

Para o presidente da Associação de Moradores do bairro Mário Cypreste, Cláudio Barcellos, a estrutura ainda não atingiu o objetivo.

“Acredito que o público-alvo eram as pessoas em situação de rua, mas elas não vão querer ficar aqui em local fechado por 14 dias. Eles não gostam de ficar nem nos albergues. A gente entende que foi um gasto desnecessário”, disse.

O economista Wallace Millis, especialista em gestão pública, analisou os dados. Para ele, o gasto foi “mal-orientado”.

“Está na hora de rever esse modelo de tomada de decisão. Uma questão fundamental na saúde, como nessa pandemia está se revelando, é que o investimento tem que ser melhor direcionado. Um investimento que rende melhor retorno social é aquele de promoção da saúde, de prevenção. Deveria fechar e reorientar essas pessoas para uso de instalações compartilhadas. Temos hotelarias com baixa taxa de ocupação que poderia ser melhor aproveitada nesse cenário”, opinou.

O coordenador do comitê Covid-19 de Vitória, Bruno Toledo, explicou que o Centro de Quarentena foi criado para possibilitar o atendimento diante do pior cenário possível, o que, segundo ele, justifica o alto investimento.

“O pior cenário indicava que precisaríamos de até 50 leitos, simultaneamente. Felizmente, o pior cenário projetado por nós há dois, três meses não está se realizando. Isso é uma excelente notícia. De forma muito responsável, iniciamos um diálogo com o Ministério Púbico, com o Conselho Municipal e Assistência e com o Governo Federal para redimensionar a meta diante da realidade que hoje se coloca para o município de Vitória”, disse.

O coordenador do comitê Covid-19 também disse que boa parte dos gastos da prefeitura com o centro foi com equipamentos e que, depois da pandemia, vão ser destinados para outros serviços de assistência.

 

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