ES: assassinato de advogada completa três anos sem julgamento

Gabriela Silva de Jesus foi morta quando saía de casa para trabalhar, em gosto de 2017. No mesmo mês em que a Lei Maria da Penha faz 14 anos, pai da advogada teme que acusados sejam soltos.

Por Danielle Cariello, G1 ES e TV Gazeta

Após três anos do assassinato da advogada Gabriela Silva de Jesus, de 24 anos, que foi asfixiada e teve o corpo abandonado em uma rua da Serra, em 2017, o crime ainda não foi julgado. O ex-noivo da vítima, Rogério Costa de Almeida, e um amigo dele, Alexandre Santos de Souza, foram denunciados como autores e estão presos. No mês em que a Lei Maria da Penha completa 14 anos, a família da jovem clama por justiça.

Rogério está no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarapari e Alexandre no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Serra. Os dois deram entrada no sistema prisional em agosto de 2017 e, segundo o Tribunal de Justiça, aguardam o julgamento.

O pai de Gabriela, Francisco Pereira de Assis, ainda tem medo que eles sejam soltos. “Até hoje, a Justiça não julgou o caso. Eles (os acusados) têm os advogados que estão correndo atrás, tentando usar essa pandemia, o Dia dos Pais, para soltá-los”, lembrou.

Gabriela foi morta em agosto de 2017. Segundo a Polícia Civil, ela foi sequestrada pelo ex-namorado e pelo amigo dele logo após sair de casa para trabalhar.

Na época, a polícia disse que Gabriela ficou 20 horas em poder dos dois. Segundo as investigações, a advogada chegou a pedir ajuda, mas os suspeitos a deram socos, chutes, e depois, ela foi estrangulada.

Advogada Gabriela Silva de Jesus, de 24 anos, assassinada pelo ex-namorado no bairro Colina de Laranjeiras, na Serra, em agosto de 2017

O corpo de Gabriela foi jogado na Avenida Monte das Oliveiras, perto da Rodovia Norte-Sul, e o ex-namorado e o amigo ainda passaram com o carro em cima dela para simular um atropelamento.

Os dois foram presos em flagrante e indiciados pela polícia por sequestro, tortura e homicídio. Familiares, que não quiseram se identificar, contaram que Rogério não aceitava o fim do relacionamento.

“Ele nunca aceitou. Ele é um cara estranho. Muito calado. Agente sabia que a qualquer momento ele podia fazer alguma coisa”.

Para a família, o julgamento dos acusados encerraria o caso, amenizando o sofrimento causado pela perda da filha.

“Só o pai e a mãe que sabem o que é isso. Todos os dias, quando vou dormir e acordo, lembro da minha filha. Tudo que eu quero é justiça. Eu sei que a justiça de Deus é feita, mas eu quero ver a dos homens também”, afirmou.

Denúncia

A delegada titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), Raffaella Aguiar, pediu que as mulheres procurem a polícia ao menor sinal de agressão por parte dos companheiros.

“Ao primeiro gesto de agressão – que não precisa ser física, pode ser verbal – a mulher já deve procurar uma de nossas delegacias, para que a gente oriente como ela vai proceder. Mesmo que a mulher queira continuar com aquele relacionamento, deve procurar a delegacia para conseguir fazer com que não se torne num relacionamento abusivo e que não chegue na causa mais grave, para talvez se tornar um feminicídio”, considerou.

A delegada conta que houve uma redução no número de feminicídios. Mas o ideal, mesmo, é que não tivesse mais nenhum registro desse tipo de crime.

“Até julho do ano passado, contamos 11 feminicídios. Esse ano, tivemos quatro. Não é um número que estamos felizes, porque o ideal seria não ter nenhum. Mas estamos vendo uma melhora, e vemos que estão surtindo efeito as políticas públicas de combate à violência contra mulher”, enfatizou.

O número para denúncias de situações de violência contra a mulher é o 180.


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