Epidemiologista explica aumento de casos de Covid-19 no interior do Espírito Santo

Marechal Floriano, no ES, dobrou número de atendimentos — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Os casos de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19) estão crescendo nas cidades do interior do Espírito Santo. Em Linhares, na região norte, o número de infectados aumentou mais de sete vezes em somente um mês. No dia 19 de maio, eram 118; agora, são 934.

Na região serrana, em Marechal Floriano, o número de infectados pelo coronavírus cresceu ao mesmo tempo em que a população da cidade quase dobrou durante a pandemia. De acordo com a prefeitura, isso acontece porque muitas pessoas têm saído da Grande Vitória para passar esse período de isolamento em sítios da cidade.

De acordo com a enfermeira e doutora em Epidemiologia Ethel Maciel, esse fenômeno já era esperado, porque aconteceu em outros estados em que a pandemia estava em estágio mais avançado, como em São Paulo.

“Nós vimos dois fenômenos acontecerem em Estados que estavam em estado avançado em relação a nós, como São Paulo. A aceleração na periferia, em lugares onde antes não tinha a doença; e agora a interiorização. As pessoas saem daqui [da Grande Vitória], muitas com sintomas leves ou assintomáticas, levam esse vírus para o interior sem saber que estão infectadas, e infectam outras pessoas”, explicou.

Falta estrutura

Outro problema dessas regiões, apontado pela epidemiologista, é que a maioria delas não tem equipamentos de saúde, como hospitais e pronto-atendimentos, que deem conta de uma demanda muito maior do que a dos moradores do município.

“A maioria dessas cidades não tem nenhum equipamento de saúde, a não ser as unidades de saúde básicas. A estrutura dessas unidades é planejada para atender aquele numero de habitantes. Quando tem um aumento muito grande, isso é descontrolado. Profissionais da saúde são colocados em risco porque há mais pessoas, a demanda aumenta”, explicou.

Profissionais de saúde

Além disso, de acordo com Ethel, nessas regiões, muitos profissionais de saúde estão ficando doentes porque não conseguem cuidar devidamente da proteção, já que a demanda de atendimentos aumentou muito.

“Muitos profissionais de saúde estão doentes e nós não temos como substituir essas pessoas. Não adianta ter leitos, não adianta ter respiradores, precisamos dessas pessoas para qualquer cuidado. É preciso que a população entenda isso e respeitem os profissionais de saúde. Nós não queremos palmas, nós queremos respeito. Queremos que a população use máscara, permaneça em isolamento, em distanciamento social. É isso que vai mudar a realidade da pandemia”, considerou.

Estabilização

De acordo com o secretário de Estado da saúde, Nésio Fernandes, a curva dos números de casos da Covid-19 nos municípios de Serra e Vitória indica uma tendência à estabilização no número de infectados pela doença nessas duas cidades.

“O conjunto de dados nos permite analisar que a curva de casos em Serra e Vitória tem uma tendência de estabilização, mas isso não significa recuperação. Em Cariacica e Vila Velha ainda há tendência de crescimento no número de casos, ainda que em uma velocidade menor. No interior, a doença ainda cresce, já que essas regiões têm um atraso de três semanas em relação à Grande Vitória”, explicou.

No entanto, para a epidemiologista, ainda é cedo para falar em estabilização, porque os números da pandemia ainda estão crescendo em todo o Estado.

“Eu acho prematuro falarmos de qualquer tendência neste momento, porque ainda estamos em aceleração da pandemia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualquer estabilização só pode ser confirmada se tiver um período de 15 dias a um mês de desaceleração ou permanência desses números. Precisamos observar as próximas semanas”, considerou.

A doutora deixou um recado para quem está com a doença, mas acha que os sintomas são leves. “O ato de estar com a doença leve não significa que esse paciente vai contaminar o outro de forma leve, porque o outro pode ter a doença e morrer”, lembrou a doutora.

 

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