Entrega de cestas de produtos orgânicos e agroecológicos cresce 136% na pandemia

As entregas de cestas ou encomendas de produtos orgânicos e agroecológicos na Grande Vitória cresceram em 136% em meio à pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). Antes, a porcentagem de produtores de feiras livres e pontos de comercialização que realizavam entregas semanais era de 24%. Com o isolamento social imposto, 57% dos produtores passaram a realizar delivery, aumentando em mais de quatro vezes o número de entregas, de 312 para 1.354 por semana.

O resultado foi revelado pela pesquisa “Comercialização direta de alimentos orgânicos e agroecológicos na Grande Vitória mediante pandemia do Covid-19” coordenada pelos extensionistas do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Andressa Alves, Galderes Magalhães, Jaqueline Sanz e Rachel Quandt Dias. Os servidores tiveram o apoio e participação das associações de produtores, sindicatos rurais, movimentos sociais e extensionistas locais do Incaper.

A coordenadora técnica de Segurança Alimentar e Estruturação da Comercialização do Incaper, Rachel Quandt Dias, destacou que o aumento em mais de quatro vezes no número de cestas entregues trouxe muitas novidades e desafios para os agricultores familiares e pequenos produtores.

“Em pouco tempo os agricultores se adaptaram aos novos formatos de comercialização e logística de entrega dos produtos. Ficou claro que em meio à pandemia, mesmo com a suspensão das feiras agroecológicas, houve aumento no consumo de produtos orgânicos. Os canais virtuais como aplicativos ou mídias sociais ganharam força em meio à crise e certamente vieram para ficar”, disse Rachel Quandt Dias.

A pesquisa teve a participação de 103 agricultores de diferentes municípios do Espírito Santo, que correspondem a 87% dos produtores cadastrados nas feiras agroecológicas e pontos de comercialização direta na Grande Vitória. São diversos os produtos orgânicos disponibilizados aos consumidores in natura como frutas, verduras e hortaliças. Também são comercializados produtos da agroindústria familiar tais como mel, panificados, fubá, café, conservas vegetais e outros. 

“A maior parte dos agricultores fazia parte de organizações sociais e foram esses os que conseguiram responder de forma mais ágil e positiva aos impactos. Portanto, fica nosso apelo e orientação quanto a importância da organização social rural”, ressaltou a coordenadora técnica de Agroecologia do Incaper, Andressa Alves.

Produção durante a pandemia

Em relação à produção durante a pandemia, 68% dos produtores informaram que mantiveram ou aumentaram a produção dos alimentos. Em contrapartida, 32% relataram diminuição de produtos produzidos nas propriedades rurais. Sobre dificuldades de comercialização dos produtos, 71% dos agricultores informaram não tiveram perdas. Outros 21% relataram perdas acima de 25% da produção e 8% perderam mais da metade do volume produzido. A pesquisa ressalta que as perdas ocorreram principalmente em torno da terceira semana do mês de março, por ocasião do decreto com as medidas de enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus.

A gerente de Assistência Técnica e Extensão Rural do Incaper, Jaqueline Sanz, afirmou que os agricultores se adaptaram rapidamente aos novos tempos e conseguiram superar dificuldades e desafios, inovando as suas formas de produzir, comercializar e disponibilizar alimentos saudáveis à população da Grande Vitória.

“Os resultados da pesquisa são fundamentais para conhecer as principais tendências de mercado e consumo, bem como as respostas e demandas dos agricultores. Mostrou também que a população, no período de maior isolamento social, se preocupou em manter seus hábitos alimentares buscando produtos saudáveis. A pesquisa também reforçou o papel crucial da agricultura familiar na produção e disponibilização de alimentos”, destacou a gerente.

“Para nossa satisfação, a maior parte dos agricultores entrevistados recebeu assistência técnica e desses, 80% são assistidos pelo Incaper, mostrando a importância do Instituto nas principais demandas tanto técnicas quanto de comercialização e organização social. Também nos deu grande alegria saber que o Incaper foi a instituição que, segundo os agricultores, mais esteve próxima no período de pandemia”, disse Jaqueline Sanz. 

Impactos socioeconômicos aos agricultores

A respeito dos impactos econômicos, a pesquisa revelou que a renda familiar diminuiu para 49% dos agricultores, 32% deles disseram que não sofreram alterações e 14% informaram que a renda aumentou. A redução da renda foi maior entre os produtores que deixaram de comercializar na Grande Vitória, sendo 8% dos entrevistados. Desses, 75% informaram terem perdido renda e 25% não tiveram alteração.

Aos produtores que relataram aumento da renda familiar, o acréscimo médio dos rendimentos foi de 24%, com variação de 10% a 70%. Para os que relataram perda da renda, a redução média foi de 39,5%, variando de 10% a 80%.

“Apesar das dificuldades, percebeu-se um otimismo entre os entrevistados. Há entre eles otimismo em relação ao aumento no número de clientes e também uma perspectiva positiva em relação ao aumento da renda familiar com a comercialização dos produtos orgânicos e agroecológicos”, pontuou o coordenador do Centro Regional de Desenvolvimento Rural (CRDR) Central Serrano do Incaper, Galderes Magalhães.

Texto: Andreia Ferreira

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