“Enfrentamos Israel, que tem bombas atômicas, com pedras e mísseis caseiros”, diz líder do Hamas ao 247


O médico Basem Naim, membro do Birô Político do Hamas e do Comitê de Relações Exteriores do partido palestino, em entrevista diretamente da Faixa de Gaza à TV 247, expôs o sofrimento de seu povo, que vive sob o que classificou como “ocupação” de Israel. Durante a entrevista, ele também respondeu à pergunta sobre se o Hamas é ou não uma organização terrorista, como defendem Israel e a mídia ocidental.

Ele listou as diversas formas de ataque promovidos por Israel: “Estamos há 72 anos sob ataque israelense. Somos um povo sob ocupação, sitiados, mortos, despejados na força, através de inúmeros massacres em Jerusalém, na Cisjordânia, no Líbano, na Jordânia. Estamos sob ataque contínuo. Nossos locais sagrados são atacados, nossas casas são demolidas, nossa terra é confiscada, nossos recursos aquáticos e outros recursos são roubados. Estamos sob ataque contínuo, não provocamos ninguém. O negócio deles, como ocupadores, é a provocação contínua e agressão contra nosso povo”.

Naim, que foi ministro da Saúde da Palestina entre 2007 e 2012, apontou ainda para a disparidade de armamentos entre as duas nações. Segundo ele, os recursos limitados da Palestina impedem um combate de igual para igual. 

“Nós palestinos temos uma experiência amarga com esperar que alguém de fora irá nos ajudar a resistir à ocupação. Então, decidimos tomar a responsabilidade para nós mesmos para buscar como obter armamentos para lutar contra a ocupação e resisti-la. Jovens daqui, com recursos financeiros e de matérias-primas muito limitados, sob a ameaça constante de ataque da ocupação, perdemos muitas vidas dessa maneira… Eles foram capazes de desenvolver suas próprias armas. Estou falando de projéteis caseiros, algumas armas e bombas. São armas caseiras, com recursos muito limitados e pouco dinheiro. Não se pode comparar nossas instalações e capacidades com as do inimigo, da ocupação, que é o Exército mais poderoso não somente na região, mas talvez um dos mais fortes do mundo. Eles têm mais de 200 bombas nucleares, armas químicas e biológicas. Por sinal, eles utilizaram essas armas contra nosso povo. Eles têm F-16s, F-35s, bombas americanas, a marinha, sistemas de defesa aéreos… Eles têm tudo que precisam para continuar a agressão contra nosso povo e continuar ocupando nossa terra”, disse o político.

O entrevistado também falou sobre o ex-presidente Lula, quem descreveu como “um amigo do povo palestino”. “Esperamos a sua volta”, afirmou. Ele também disse ter ficado muito triste com a guinada do país para a extrema direita. “O Brasil é um país central na América Latina. Ficamos muito tristes com a mudança para a extrema direita”.

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(Foto: Reprodução/Facebook | Reuters)

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