Empresário que agrediu motoboy após demora na entrega paga fiança de R$ 25 mil e é liberado no Espírito Santo

O empresário e lutador profissional de jiu-jitsu Thiago Osmar Peichinho Mageste, de 38 anos, que agrediu um motoboy em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, na madrugada de domingo (29), deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Colatina após pagar uma fiança de R$ 25 mil.

Thiago foi autuado por injúria, lesão corporal, dano e desacato e encaminhado para o presídio logo após a agressão. A audiência de custódia aconteceu na manhã desta segunda-feira (30).

Na ocasião, o juiz Marcelo Feres Bressan concedeu liberdade provisória ao homem mediante o pagamento da fiança. “O valor se justifica pelos sinais de riqueza demonstrados, já que é empresário, com renda superior ao comum do trabalhador brasileiro”, afirmou, na decisão.

De acordo com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), o alvará de soltura foi expedido ainda na noite de segunda-feira.

A defesa disse que Thiago apresenta quadro depressivo e que, no dia da agressão, havia misturado remédios e bebida alcoólica.

O crime aconteceu no Centro de Colatina e parte das agressões foi registrada em vídeo. As imagens mostram quando o entregador chega com o lanche. Em seguida, o cliente aparece e discute com o motoboy, que se afasta. O homem segue o motoboy até a moto. Em outro vídeo, é possível ver quando o homem agride o entregador, que está no chão.

Imagens mostram agressão a motoboy em Colatina — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Imagens mostram agressão a motoboy em Colatina — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

“O entregador disse que ele [empresário] achou ruim porque demorou a entrega. Ele chegou lá embaixo, quando foi buscar o lanche, e já partiu para a violência”, disse o sargento Rodrigues, da Polícia Militar.

Além de bater no entregador, Thiago ainda ameaçou os policiais que atenderam a ocorrência.

“Ele falava que a gente não sabia com quem estava mexendo, que se fosse preso não ficava nem um dia na cadeia, que queria ver a gente subir para pegar ele, porque ele é lutador faixa preta. O advogado dele se fez presente, subiu no apartamento e convenceu ele a descer. Quando desceu, foi para o DPJ [Departamento de Polícia Judiciária]”, disse o sargento.

Na polícia, já existe um registro contra Thiago por lesão corporal. Segundo o boletim, em 2017 ele teria agredido um entregador de farmácia durante uma discussão no trânsito.

Empresário é acusado de agredir motoboy após demora na entrega — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Empresário é acusado de agredir motoboy após demora na entrega — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Por telefone, o advogado de Thiago, Daniel Baptisti, falou com a TV Gazeta e disse que o empresário apresenta um quadro depressivo por causa da pandemia.

Recentemente, ele perdeu a avó por causa da doença. Além disso, segundo o advogado, Thiago e a mãe também foram infectados.

O advogado ainda explicou que, no dia da agressão, o cliente havia misturado remédios com bebida alcoólica, o que o deixou alterado.

Daniel acrescentou que Thiago está arrependido e pede desculpas ao motoboy e à Polícia Militar.

Na tarde desta segunda, outros entregadores organizaram um protesto em apoio ao motoboy agredido. Eles fizeram buzinaço nas ruas da cidade, pararam em frente ao Fórum

e, depois, em frente ao prédio onde mora o agressor. “Total indignação. É um rapaz trabalhador, rapaz, bom”, disse um motoboy.

Motoboys protestaram em apoio ao colega agredido, em Colatina — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Motoboys protestaram em apoio ao colega agredido, em Colatina — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

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