Embaixador russo se oferece para ser “cobaia” em teste da Sputnik V no Brasil


 O embaixador da Rússia, Alexey Labetskiy, assumiu a chefia do posto em Brasília há cerca de dois meses, em meio ao imbróglio em torno da liberação da vacina Sputnik V no Brasil. O uso do imunizante no país foi proibido pela Anvisa e só será liberado após o fornecimento de informações e documentos exigidos pelo órgão. O veto da Anvisa gerou protestos de governadores e acusações de uso do órgão para fins políticos. 

Em entrevista concedida ao jornal O Globo, Labetskiy afirma que o governo russo respeita a legislação brasileira e está aberto a trabalhar em conjunto com o Brasil e outros países para desenvolver vacinas e medicamentos para combater a Covid-19. Ele ainda afirma que, se for preciso, servirá “de cobaia” e tomará a Sputnik de novo, para provar que o imunizante é eficaz na prevenção da doença. Ele e sua família foram vacinados no início deste ano, antes de virem para o Brasil. 

Labetskiy ressaltou que os trâmites para aprovação da vacina pela Anvisa não cessaram. “As partes interessadas brasileiras continuam trabalhando com a Anvisa, fornecendo os documentos necessários para o registro da vacina para uso emergencial. Devemos respeitar a ordem interna brasileira quanto à liberação de utilização de medicamentos e vacinas”, informou.

“Hoje, a vacina está permitida em mais de 60 países, incluindo Argentina, México, Venezuela e outros países da América Latina, além de Índia, Hungria e Eslováquia. A Índia, que é um dos maiores produtores de IFA de vacinas do mundo, autorizou a utilização da Sputnik, as primeiras doses já foram concedidas e eles já começaram a vacinar a sua população”, acrescentou. 

Questionado sobre o montante de lotes da vacina disponíveis para o Brasil, o diplomata explicou que “não posso dizer quanto com exatidão, porque isso depende de negociações entre as partes interessadas brasileiras, entre elas a União Química, os estados e outras entidades governamentais e não governamentais que estão interessadas em receber”. 

“Ouvi dizer que seriam 30 milhões de doses, com base em conversas entre os estados nordestinos e o Fundo de Investimento russo”, completou Labetskiy. 


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