Em quatro anos, contador desviou mais de R$ 1 milhão da Câmara de Itarana

Adair Lucas, de 47 anos, que era servidor do órgão desde 2005, fraudava folhas de pagamentos e desviava dinheiro para a própria conta, segundo a polícia. Ele está preso desde o dia 10 de novembro.

O servidor preso por suspeita de desviar para a própria conta mais de R$ 1 milhão da Câmara de Itarana, no Espírito Santo, vinha agindo desde 2016. A informação é de Naiara Arpini, do G1 ES.

Segundo a Polícia Civil, Adair Lucas, de 47 anos, que era contador e tesoureiro do órgão desde 2005, fraudava folhas de pagamentos e apresentava extratos bancários falsos para não ser descoberto. Ele está no Centro de Detenção Provisória de Aracruz.

O suspeito atuava na Câmara Municipal da cidade desde 2005 como contador, tesoureiro e profissional de recursos humanos. De acordo com as investigações, era considerado um funcionário de confiança e acima de qualquer suspeita.

O desvio milionário só foi descoberto no início deste mês, quando a esposa do servidor registrou na polícia um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento dele.

No dia seguinte, o presidente da Câmara Municipal notou a falta de aproximadamente R$ 1 milhão na conta da Casa de Leis ao tentar fazer um repasse no valor de R$ 740 mil à Prefeitura referente à compra de um imóvel e, imediatamente, ligou os dois fatos.

A Polícia Civil foi acionada e passou a apurar o caso. Em um primeiro momento, a Controladoria do Município detectou que o servidor desviada dinheiro da Câmara desde maio de 2018. Entretanto, as investigações já apontam registros de irregularidades desde 2016.

Segundo a polícia, para sustentar os desvios e continuar no cargo sem que ninguém desconfiasse, o funcionário criava folhas de pagamentos suplementares, que eram desviadas para a conta dele. Além disso, o prejuízo pode ser maior.

“Além do desfalque, que hoje podemos afirmar que perfaz mais de R$ 1,1 milhão, sem atualização e correção, foi detectado também que em maio de 2017 a Câmara parou de fazer aplicações. Era atribuição desse servidor fazer aplicações do saldo remanescente e isso não acontecia, o que também lesava a Câmara”, explicou o titular da Delegacia de Itarana, Leandro Barbosa.

Com essa modalidade fraude, o servidor iludiu até o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TC-ES) ao apresentar extratos bancários falsos. “Nesses extratos, constavam aplicações, saldo irreal”, explicou o delegado.

Adair Lucas foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia 10 de novembro quando passava pela BR-381, próximo a João Monlevade, na região Central de Minas Gerais. Ele transportava mais de R$ 27 mil em notas de R$ 100 e R$ 50, e despertou a desconfiança dos policiais porque não conseguiu explicar a origem do dinheiro.

Ao consultar a documentação do suspeito, os policiais constataram que ele era procurado pela Polícia Civil do Espírito Santo.

Adair foi trazido para um presídio do Estado e também foi exonerado do cargo assim que o município descobriu a fraude.

Ainda segundo o delegado, Adair Lucas levava uma vida simples, era considerado um funcionário de confiança e, por isso, nunca levantou nenhuma suspeita.

“Não ostentava, não mudou comportamento, ele não tinha sinais exteriores de riqueza, embora tenha feito desfalque numa cidade pequena bastante considerável”, disse. Até o momento, tudo leva a crer que ele agia sozinho.

O investigado vai ser alvo de pedido judicial para que seja apresentada a maior quantidade possível de valor a ser ressarcido para a Câmara Municipal.

Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e permanece no Centro de Detenção Provisória de Aracruz. O G1 ainda não conseguiu contato com a defesa de Adair Lucas.

 

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