Em painel que antecede Fórum Amazônia+21, participantes debatem papel das cidades no desenvolvimento sustentável da Amazônia

Promovido na última quarta-feira (14), o último painel de debates que antecedem o Fórum Amazônia+21 abordou a importância das cidades na promoção do desenvolvimento sustentável da Amazônia. Especialistas, organizações internacionais e prefeitos tentam encontrar o equilíbrio entre crescimento econômico que gere retorno para os mais de 20 milhões de habitantes da região e a preservação do bioma. 
 
Para Henrique Pereira, CEO da WayCarbon – empresa brasileira que desenvolve soluções de tecnologia e inovação voltadas para a sustentabilidade – aproximar a agenda de desenvolvimento sustentável da esfera municipal é fundamental para a realização de ações efetivas, que não ficam só no discurso.  “Quando a gente traz a agenda de desenvolvimento para um contexto municipal, [essa] é a grande oportunidade de implementar ações”, afirma. 

Presente no painel, a prefeita de Boa Vista (RR), Teresa Surita, detalhou o processo de transformação pelo qual a cidade passou nos últimos anos até se tornar uma das que mais investe em energia limpa e renovável no País. Aproveitando-se da grande disponibilidade de sol na região, a prefeitura passou a investir em energia solar, que já supre a necessidade do Teatro e do Mercado Municipal, de prédios da administração pública e de 72 pontos de ônibus climatizados.
 
Com a instalação do sétimo painel solar na capital roraimense, a expectativa é de uma economia anual de R$ 5 milhões, menos 7,5 milhões de toneladas de CO2 lançadas na atmosfera, entre outros ganhos. “Foi uma mudança de qualidade de vida para as pessoas incrível. Com bom planejamento conseguimos fazer todo esse trabalho e, inclusive, fazendo com que as pessoas na sua vida privada começassem a se interessar pelo investimento em energia solar”, conta Surita.
 
Com o intuito de compartilhar experiências como essa, diversas instituições e autoridades locais da Amazônia pretendem implantar um Fórum de Cidades Pan-Amazônicas. Anuska Soares, coordenadora do projeto Segurança Energética e Mudança Climática para a América Latina (EKLA), da Fundação Konrad Adenauer, explica que a ideia é trabalhar em uma rede de cidades multilateral, que busque o desenvolvimento “mantendo a floresta em pé”.
 
“As cidades precisam se falar, as secretarias precisam se falar, porque temos o objetivo de manter a floresta em pé, fazer um desenvolvimento sustentável através de uma bioeconomia, de uma economia circular inovando sempre, de uma forma que todos ganhem” destacou.
 
O diretor regional da ONU-Habitat para América Latina e o Caribe, Elkin Velásquez, destacou a Amazônia tem, normalmente, sobre si, um olhar para as questões ambientais, mas que há um grande contingente populacional na região que não pode ser esquecido. Segundo ele, cerca de 63% da população do bioma mora em cidades, das quais 42 têm mais de 100 mil habitantes.
 
Elkin disse que há uma concentração significativa de famílias pobres e que os mais vulneráveis devem ter participação no crescimento a partir da exploração consciente da biodiversidade local. “É fundamental dar visibilidade às sociedades amazônicas e a todos os envolvidos. As comunidades precisam ser protagonistas de um processo de desenvolvimento”, ressaltou. 

Em último encontro antes do Fórum Mundial Amazônia+21, moradores defendem desenvolvimento com participação dos povos tradicionais

Último encontro preparatório para Fórum Mundial Amazônia+21 ocorre nesta quarta-feira (14)

Preservação e Desenvolvimento

Durante boa parte do painel, os gestores locais e especialistas bateram na mesma tecla: é necessário encontrar equilíbrio entre preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Clécio Vieira, prefeito de Macapá (AP), afirmou que a defesa das duas posições ao extremo é perigosa.
 
“Dois discursos me preocupam. Um discurso que prega preservação, mas sem apontar caminhos para o desenvolvimento local. E ele dá margem para um outro discurso, de que nós estamos pobres, sentados em cima da riqueza, contemplando a natureza. Precisamos encontrar os pontos convergentes”, aponta.
 
Já o prefeito de Porto Velho (RO), Hildon Chaves, acredita que um dos caminhos para a preservação do bioma é o fomento em pesquisa que gere retorno econômico. “A preservação pura e simples não vai dar certo. Se preserva com o fomento da economia, pesquisa, abertura de mercados internacionais para produtos amazônicos”, indica.
 
Representante do ICLEI, uma organização internacional que reúne mais de 1,7 mil governos locais comprometidos com o desenvolvimento sustentável, ressaltou a melhoria do bem-estar da sociedade da região deve vir sem prejudicar a natureza, que seria aliada nesse objetivo. “É possível utilizar esse momento para repensar a nossa economia, e o tipo de desenvolvimento que queremos. É a oportunidade para construir uma economia mais eficiente, resiliente, justa e sustentável, que seja baseada na biodiversidade que nós temos”, concluiu.

Fórum Amazônia+21

Programado para os dias 4, 5 e 6 de novembro, o Fórum Amazônia+21 é uma iniciativa que visa mapear perspectivas e buscar soluções para temas relacionados ao desenvolvimento da região e melhoria da qualidade de vida dos mais de 20 milhões de cidadãos que vivem na Amazônia Legal, composta pelos sete estados da região Norte, mais Maranhão e Mato Grosso.

O fórum é promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero), Agência de Desenvolvimento de Porto Velho e Prefeitura de Porto Velho. A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e o governo do estado apoiam o programa. Por conta da pandemia da Covid-19, este ano o evento vai ocorrer virtualmente. 

Agência Brasil

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