ELE NÃO ERA JURADO

Em uma Comarca do interior capixaba os jurados foram convocados para a pauta de julgamento. Dentre eles estava o nome do Senhor Waldemar da Silva.

Todos os vinte e um jurados foram intimados pelo oficial de justiça e compareceram ao julgamento, com exceção de um que apresentou atestado médico.

O juiz Presidente do Tribunal do Júri antes de fazer o sorteio dos jurados leu as situações que impedem o jurado de participar do Conselho de Sentença: parentes do réu, do juiz, do promotor, do advogado, etc. Também no mesmo Conselho não podem servir marido e mulher; parentes; cunhados; sogra e genro, etc.

Os jurados foram sorteados, com as três recusas que as partes podem fazer. Os jurados impedidos se manifestaram. E por fim o Conselho de Sentença se formou com a presença dos necessários sete jurados.

O julgamento teve o seu curso, com a oitiva das testemunhas e o interrogatório do acusado. Após três horas o juiz suspende a sessão para o cafezinho e o uso dos banheiros.

Neste intervalo uma pessoa sopra no ouvido do promotor que um jurado que não é jurado. Você esta brincando, disse o membro do parquet. Explica esta história direito. Aquele Senhor ali não é jurado, eu tenho certeza. Obrigado pela informação, agradeceu o promotor.

Reiniciado o julgamento, o representante do Ministério Público pede a palavra pela ordem. MM Juiz, fui avisado que um dos jurados não é jurado, sequer faz parte da relação de jurados da Comarca. É o primeiro Senhor da segunda fila, da esquerda para direita.

O magistrado pergunta ao homem:

– qual é o nome do Senhor?

– O meu nome é Waldemir da Silva. É a primeira vez que sou chamado para ser jurado.

O juiz pega a lista dos vinte um jurados convocados para o julgamento e dentre eles estava Waldemar da Silva.

– o nome do Senhor não é Waldemar da Silva?

– Não. Waldemar é meu irmão. Ele já foi jurado várias vezes. O meu nome é Waldemir da Silva.

-por que o Senhor não avisou no inicio que o Senhor não é o Waldemar, mas irmão dele?

-o oficial me parou na rua e me intimou para ser jurado hoje e eu larguei meu serviço para atender a justiça.

Observado o mandado estava no verso a assinatura do Waldemir da Silva. O falso jurado estava certo, ele foi intimado mesmo. Porém, o oficial intimou o homem errado. Pensou que ele fosse o Waldemar, mas ele era o irmão Waldemir.

O júri foi cancelado e marcado para outro dia, com a ordem para o oficial intimar o verdadeiro jurado Waldemar. Duas horas de trabalho perdidas. Pior seria se o equivoco fosse verificado depois do julgamento. O júri seria nulo e deveria ser novamente realizado, para a tristeza da parte vencedora.

Texto: Creumir Guerra
Creumir Guerra é Promotor de Justiça no Estado do Espírito Santo

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