Dívidas podem trazer problemas físicos e psicológicos a quem está devendo, mostra estudo

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Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR) mostra que 92,7% das famílias paranaenses tinham alguma dívida em junho, contra 92,5% em maio.

O avanço de um mês para outro não foi tão grande, mas estudo mostra que a preocupação com as dívidas segue presente e tem afetado a saúde mental das pessoas.

Em junho, 22,4% das famílias paranaenses estavam com contas atrasadas. Porém, entre famílias que recebem até dez salários mínimos a taxa sobe para 24,8%. E entre as que ganham mais de dez salários mínimos cai para 10,8%.

Segundo a CNC e a Fecomércio-PR, 7,7% das famílias acreditam que não terão condições de pagar as dívidas no próximo mês.

No caso das famílias que recebem até dez salários mínimos o valor sobe para 9,7%%. Entre as que ganham mais de dez salários mínimos, a taxa é de 1,2%.

“Os bens duráveis, ou seja, geladeira, eletrodomésticos, tudo que envolve um pouco mais de utilização de capital, eles tão comprometidos nos últimos meses muito por isso, porque as famílias não têm essa reserva maior para estar se planejando num período de médio e longo prazo”, afirma o coordenador da Fecomércio-PR, Rodrigo Shmidt.

O cenário de frustração nasce na roda-viva do orçamento que não fecha. Não é só o bolso que sofre em tempos de dinheiro curto, inflação, juro alto. A dificuldade de manter as contas em dia afeta a condição física das pessoas, gerando estresse, ansiedade, e pode custar caro à saúde.

A incerteza financeira é a principal causa de preocupação pra 78% do brasileiros que responderam a uma pesquisa de um instituto nacional que trata de questões ligadas ao estresse. É o drama de quem encosta a cabeça no travesseiro e não dorme por causa de uma conta.

Esse estado permanente abre as portas para outros problemas, com aumento do risco de doenças do coração, queda de imunidade, infecções que se repetem, alterações hormonais.

O psiquiatra Marcelo Kimati afirma que as preocupações financeiras geram, em primeiro lugar, alterações afetivas.

“Ela tende a ficar mais irritada, tende a ficar mais angustiada, ela tende a ter alterações de consciência em que o foco de atenção dela, e o foco de consciência ele é desviado muito frequentemente”.

O psiquiatra aponta como uma das saídas tentar reduzir o sentimento de culpa.

“Esse endividamento crescente que a gente ta vivendo hoje, e o sofrimento que decorre disso, ele não tem como origem e nem fim uma incapacidade de uma pessoa de resolver suas situações econômicas, mas que a gente vive em um contexto e que isso, de fato, ele é muito mais difícil”, explica.

 

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