Diálogos sobre qualidade do ar: Espírito Santo e São Paulo focam em aplicativo no celular para ampliar divulgação de dados

A poluição do ar é um desafio para governos e sociedade. Políticas públicas de controle e melhoria da qualidade do ar instigam e unem governos, uma vez que buscam esclarecer dúvidas recorrentes ao tema, a partir do trabalho de técnicos e especialistas no assunto. Em uma série especial, o Governo do Estado do Espírito Santo, por meio do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), debate a qualidade do ar com os demais estados da região sudeste, uma forma de estimular avanços e novas experiências.

Em ações recentes, o Governo do Estado, por meio do Iema, lançou um aplicativo sobre a qualidade do ar da Grande Vitória, disponível gratuitamente para Android e iOS, hospedado na plataforma “ES na Palma da Mão”, programa que reúne iniciativas e serviços. A realização foi fruto de uma parceria com o Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo (Prodest)

Foi lançado também, em meados de junho último, o relatório “Avaliação dos Efeitos das Medidas de Afastamento Social sobre a Qualidade do Ar na Região Grande Vitória”, cujo objetivo foi constatar se as medidas de isolamento social, necessárias para conter a disseminação do novo Coronavírus (Covid-19), afetaram positivamente a qualidade do ar da Grande Vitória.

Diálogo e ações

Para avançar no diálogo sobre a qualidade do ar, na busca por estratégias e ações que contribuam para soluções multidisciplinares nesse complexo desafio, a gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Maria Lúcia Guardani, inicia a série sobre a qualidade do ar com os estados da região sudeste do Brasil. Ela destaca que o maior veículo de acesso à informação atualmente é o celular. “Para nós, da qualidade do ar, o celular é uma ferramenta de educação ambiental”, define.

Em março deste ano, a Cetesb lançou sua nova versão de aplicativo gratuito, contendo informações sobre a qualidade do ar em todo o Estado de São Paulo, em tempo real, nas mais de 60 estações automáticas de monitoramento. 

“A informação é sempre importante, pois uma forma de se evitar a emissão de poluição é educar a população, para que ela saiba que existem poluentes e que temos responsabilidades. Temos os governos e os dirigentes com suas responsabilidades e papéis, claro, mas nós, como cidadãos, temos o nosso papel também. A educação ambiental passa pelo cidadão e temos que educar a população para evitar o uso do carro, por exemplo, optando pelo transporte coletivo”, destaca a gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb.

Maria Lúcia Guardani aponta que o fato de as pessoas permanecerem em casa, devido às regras de isolamento social vinculadas ao combate ao Covid-19, fez com que os índices de poluição do ar fossem reduzidos. “Não deixamos o carro em casa e a poluição diminuiu? Então, é um aprendizado. São coisas difíceis, mas vamos ter que pensar. Acho que a divulgação é importante. O aplicativo é de interesse de cada um e as ações também”, assinala.

Relatório

Enquanto o Espírito Santo lançou um relatório da qualidade do ar comparando o período de 24/03/2020 a 30/04/2020 com o período de 24/03/2019 a 30/04/2019, São Paulo tem lançado boletins quinzenais para saber como o isolamento social tem contribuído para a redução dos índices de poluição da qualidade do ar. 

“Nosso problema de meteorologia aqui é muito significativo e, ao comparar com anos anteriores, onde tivemos períodos chuvosos, teremos um problema de cara. A gente observou que aqui existiu uma queda nos índices, pois, se não tivesse essa diminuição de atividades, de frota de veículos, seguramente teríamos uma concentração maior de poluentes, porque a meteorologia está muito diferente da do ano passado. Passamos o mês de maio sem chuvas”, informa a gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb.

Ela sempre bate na tecla da educação ambiental. “É muito importante, pois para preservar, é preciso conhecer e, assim, ter uma ação positiva. Acho que ensinar a população a enxergar a existência do aplicativo e que ele é uma valiosa ferramenta é uma forma de educação ambiental. Acho que São Paulo já deu um passo e o Espírito Santo também e acho que o caminho é a continuidade dessas ações positivas”, destaca.

Sugestão

Como sugestão para se ampliar ações de educação ambiental, Maria Lúcia Guardani indica a divulgação dos índices da qualidade do ar nos programas de TV. 

“Acho que deveria ter um espaço de divulgação da qualidade do ar nos programas de TV e veículos de informação, tal qual já acontece com a previsão do tempo. Nos Estados Unidos isso já acontece. A divulgação na televisão seria uma forma de educação ambiental”, defende.

Além do aplicativo, a cidade de São Paulo conta com relógios de rua que indicam a qualidade do ar, como também a temperatura e a hora certa. “Utilizamos um código de cores que lembra o semáforo e isso fica bem evidente para quem está passando de carro, pois consegue ter a informação sobre a qualidade do ar ao bater o olho e saber que está verde, por exemplo, então, está com a qualidade boa”.

Os painéis de rua da cidade de São Paulo contribuem na ampliação da divulgação da qualidade do ar e, com o uso do aplicativo e das informações contidas no site da Cetesb, o assunto fica mais acessível à população, de forma transparente.

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