Desabamento de prédio: ‘parece um pesadelo’, diz sobrevivente que perdeu pai, irmã e sobrinha

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Prédio de três andares desabou na última semana, em Vila Velha. Doceira Larissa Morassuti falou pela primeira vez desde que recebeu alta médica.

Larissa Morassuti ficou internada e recebeu alta — Foto: Reprodução/Redes sociais

Larissa Morassuti ficou internada e recebeu alta — Foto: Reprodução/Redes sociais

Por João Brito, g1 ES

A doceira Larissa Morassuti, de 36 anos, única sobrevivente do desabamento de um prédio de três andares que vitimou três pessoas da mesma família, no dia 21, em Vila Velha, na Grande Vitória, falou sobre a tragédia pelo primeira vez desde que teve alta médica e deixou o hospital onde estava internada.

Em uma rede social, Larissa contou, nesta sexta-feira (29), como está se adaptando após o desabamento.

“Eu no hospital não tinha dimensão nenhuma de como isso estava aqui fora […] Sobre as minhas clientes: eu trabalhei passando mal tantas vezes. Quando eu saí daquele buraco, é tão surreal, tão inacreditável que eu não tinha dimensão do que tinha acontecido. Saí de lá direto para a UTI móvel, falando das minhas clientes. Das minhas clientes e da minha irmã. Eu estava preocupada com isso, não sei explicar para vocês. Era minha responsabilidade. Estou desorientada sobre a quantidade de dias. Eu acha que iria ter alta e conseguir entregar os doces de sábado, para vocês terem noção. Peço perdão para as minhas clientes, é algo que não estava no meu controle. Sempre levei a sério meu trabalho […] A vida está um caos. Parece um pesadelo que não vai acabar nunca”, disse em parte do vídeo.

A doceira também falou sobre os familiares que perdeu e os que ainda estão ao lado dela. Camila Morassuti, Sabrina Morassuti, e Eduardo Cardoso, que são irmã, sobrinha e pai de Larissa, respectivamente, morreram em meio aos escombros. Eles foram enterrados no último sábado (23).

“Eu não vi a minha família ainda. A minha irmã tinha duas filhas, uma faleceu, que era como se fosse minha filha. Tinha a idade da minha filha, é como se eu tivesse perdido a minha filha. A minha irmã tinha outra filha, mais nova, e ainda nem tive oportunidade de ver ela. Não vi meu tio, ele passou mal, quase enfartou, minha tia está passando mal. Foi esse motivo da minha demora em aparecer. Não tive condições ainda. Por isso que essa resposta a vocês demorou. Eu não sei por onde recomeçar. Sou uma pessoa forte desde quando perdi minha mãe há 15 anos atrás, luto entre aspas sozinha, mas foi uma enxurrada de orações, de ajudas, mas mesmo com toda ajuda do mundo, não sei por onde recomeçar […] Não sei por onde começar, não sei quando minha vida vai voltar ao normal. E na verdade esse normal não vai ser de fato normal, porque perdi três pessoas que tinha convívio diário. Meu pai era meu melhor amigo, me ajudava em tudo… a minha irmã… é muito triste. Muito triste”, relatou.

A sobrevivente relatou a sensação de ficar nos escombros e disse que se pergunta o motivo de ter sido a única a sobreviver.

“Ficar naquele buraco é aterrorizante. Eu não tenho como explicar como é. Eu não desabei porque a minha família não aguenta mais perder ninguém. […] Tenho feito tratamento psicológico desde o hospital. Existe culpa, eu me sinto culpada de ter sobrevivido. Essa é a verdade. Não sei como a internet vai me julgar quando falo isso, mas me sinto culpada de ter sobrevivido sozinha. Por que eu sobrevivi? Quando eu falo isso minha família fica triste, mas é o que eu sinto. Me sinto culpada. Obviamente vou fazer tratamento psicológico pra superar tudo isso”, contou.

De acordo com o coronel Wagner Borges, assessor de comunicação do Corpo de Bombeiros, há indícios que a explosão tenha sido ocasionada por vazamento de gás de cozinha, mas outras possibilidades também não são descartadas.

“Temos ali um automóvel com gás natural, que é mais leve que o gás ambiente, então ele se dissipa para locais mais elevados e sai com facilidade. Dificilmente esse tipo de gás provoca uma explosão como essa. Em segundo lugar, nós temos um apartamento como esse com GLP, que é o gás de cozinha. O gás de cozinha, sim, pode provocar a explosão que vimos. Outros fatores também podem acontecer [ser a causa], com probabilidade muito menor, como uma bomba”, afirmou Wagner.

Vista aérea de terreno onde prédio de três andares desabou

Vista aérea de terreno onde prédio de três andares desabou

 

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