Deputado responsabiliza Vale pelo Falecimento Brutal de Camburi e cobra autoridades

Em um discurso inflamado durante a sessão ordinária virtual da tarde desta terça-feira (02/06/2020), o deputado estadual Enivaldo dos Anjos dedicou um minuto de silêncio ao que chamou de “Falecimento brutal, vergonhoso e com altos requintes de violência” da Praia de Camburi.

De acordo com o deputado, enquanto as atenções da sociedade estão voltadas para o problema sanitário da pandemia do Coronavírus, a mineradora Vale tem se aproveitado para seguir poluindo o meio ambiente da Grande Vitória, em especial a principal praia da capital capixaba.

“Gostaria de comunicar esse ‘falecimento’ e pedir um minuto de silêncio pela praia de Camburi, que ganha na sua parte final a destruição causada pela Vale do Rio Doce. Gostaria de comunicar esse crime da Vale contra as pessoas de bem do Espírito Santo, onde todas as pessoas passam e ninguém toma providência. O Espírito Santo é um lugar apropriado para esse time de crime porque ninguém faz nada para combater uma empresa criminosa como é a Vale do Rio Doce”, disparou o deputado, que citou as postagens feitas em suas próprias redes sociais com fotos e vídeos da praia na manhã do dia 02.

Nas imagens é possível ver a areia tomada por uma camada escura e brilhante de minério de ferro com os dizeres ‘VALE’ e ‘SOS’ escritos.

Como se percebe, as críticas de Enivaldo não se restringiram à mineradora que, para o parlamentar, só é capaz de poluir o meio ambiente devido à negligência das autoridades federais, estaduais e municipais de fiscalização.

Com uma fala onde lembrou da falta de punição aos diferentes crimes cometidos no caso do rompimento de barreiras de contenção de rejeitos, o deputado chega a lembrar do trabalho realizado pela CPI da Sonegação de Tributos, que atua também no trabalho de cobrar grandes empresas.

Este trabalho, de acordo com o próprio deputado, por vezes seria desacelerado por auxílios externos recebidos por empresas grandes, em especial a Vale: “A Assembleia se organiza em CPIs, avança e depois recua. Lógico que a gente sabe que os recuos são porque essas empresas acionam deputados federais, senadores para frear as investigações sempre com a desculpa de geração de empregos e receita.

A verdade é que matam milhares de pessoas todo ano, criam uma situação precária de emprego. Por qualquer situação ameaçam os funcionários e a gente não sabe mais nem se ela (Vale) gera mais imposto porque essa caixa preta que a Vale tem é muito aquém do que a gente imagina do que pode gerar imposto”.

O discurso de Enivaldo seguiu em tom de cobrança aos próprios colegas de parlamento e também a outros Poderes, para que sejam menos tolerantes com a falta de responsabilidade praticada pela empresa.

“Não tem nenhum prefeito de Vitória ou da Serra que encara o problema porque logo que tem uma reunião com a Vale e a Arcelor estendem um tapete vermelho para os diretores como se fossem grandes empresários importantes.

Esse tipo de indústria é o que tem de mais porco no mundo com relação a minério. Isso que eles têm aqui não é utilizado em lugar nenhum mais do mundo. Ela (Vale) mente permanentemente sobre seus materiais, que são equipamentos ultrapassados. Onde está o investimento da Vale? Quem daqui foi a alguma inauguração de investimento da Vale nos últimos vinte anos?

Essas empresas contam com a omissão do poder Legislativo, do Poder Judiciário… Você nunca consegue uma liminar na Justiça capixaba contra a Vale. A verdade é que a influência que esse pessoal exerce é maior do que a própria lógica porque as pessoas morrem mas ajudam a vale. Elas bebem e comem esse pó preto a semana inteira, mas arrumam laudo para beneficiar a Vale”, discursou o deputado.

Enivaldo historicamente tem lutado pela melhoria das condições ambientais da Grande Vitória e que abraçou causas tidas como impossíveis como a redução da emissão de pó preto pela Vale no ar da capital e a assistência das vítimas do crime ambiental de Brumadinho e Mariana.

Recentemente, o deputado foi destaque no noticiário nacional por ter solicitado a prisão do então presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, durante sessão da CPI da Sonegação de Tributos em que presidia. Poucas semanas depois, Waack deixou o cargo que ocupava desde sua fundação, em 2016.

Ao concluir sua fala na plenária virtual desta terça-feira, Enivaldo reforçou o papel de fiscalização das entidades de controle do Estado e fez um paralelo nada ortodoxo entre as mortes causadas pela Vale e o Corona Vírus.

“Não adianta fazer média porque a média que é feita é transformada em cadáveres. Todo ano a Vale mata muito mais do que o Corona já matou até agora aqui no Espírito Santo e isso é fruto de toda essa permissibilidade que é dada a eles por aqui, sendo que nem pagar imposto direito eles pagam”, encerrou.

 

 

 

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