De janeiro a outubro, Espírito Santo registrou mais de três denúncias de estupro por dia

Todos os dias no Espírito Santo, mais de três mulheres procuram a polícia para denunciar o crime de estupro. De janeiro a outubro desse ano, já foram registrados 1.117 casos no Estado. Em muitos deles, a vítima é incapaz de reagir, o que agrava ainda mais as consequências de um crime tão brutal. A reportagem é da TV Gazeta.

“O que diferencia o estupro de outros delitos sexuais é o fato de o homem chegar ao ato sexual ou usar de violência ou grave ameaça para atos sexuais. Na lei, o crime de estupro prevê uma pena mínima de 6 a 10 anos de prisão, e o estupro de vulnerável, de 8 a 15 anos”, explicou a delegada Michele Meira.

Embora os números já impressionem, os relatos de quem já foi vítima de crimes desse tipo deixam a dor e o medo ainda mais evidentes.

Na semana passada, uma mulher de 31 anos foi perseguida por um homem na saída da igreja. Na rua da casa dela, ele a atacou e tentou estuprá-la. O agressor só saiu de cima dela quando vizinhos apareceram para impedi-lo.

“Ele puxou o meu cabelo por trás e me arremessou no chão com muita força. Estou com muitas dores. Eu tomo remédio e não passam. Estou entendendo que estou machucada por dentro, magoada. Ele subiu em cima de mim, prendendo a minha garganta. A moça tentou me ajudar, não conseguiu, e foi chamar um rapaz, que voltou com uma cadeira. Depois, ela me levantou. Ele [o criminoso] falava que eu era a mulher dele”.

Dias antes, o mesmo suspeito já tinha tentado estuprar outra mulher, de 23 anos, no mesmo bairro. Juliano Souza Freitas foi preso em flagrante por tentativa de estupro e ameaça e levado para o Centro de Triagem de Viana, mas foi liberado na audiência de custódia.

A Polícia Civil informou que ambas as vítimas atacadas pelo suspeito representaram contra ele. Uma delas ainda estava com hematomas no corpo e foi levada ao Departamento Médico Legal (DML) para fazer exame de corpo de delito.

Na sexta-feira (6), o homem foi reconhecido na rua e espancado. Para a vítima, sobrou a dor e o medo.

“Estou andando, agora, olhando para os lados, para trás, porque não posso ficar 24 horas dentro de casa. E, agora, estou com medo”.

Até mesmo quem já passou por uma situação como essa há dois anos não consegue superar o trauma. É o caso da estudante Amanda Barcelos, que também sofreu uma tentativa de estupro quando chegava em casa, à noite.

“Ele começou a me perseguir, até disfarçou mudando de uma calçada para outra, e quando subi o morro para a minha casa, ele me abordou por trás. Ele me encostou na parede, tentou me estuprar. Eu derrubei ele no chão, gritei por socorro e lutei contra ele. A vizinha escutou e ele fugiu. Não demorou muito tempo, a polícia chegou, mas não deu pra pegar ele”, contou a jovem.

Ela chegou a fazer a denúncia na polícia, mas o criminoso não foi encontrado. “Eu corri atrás das câmeras da prefeitura, pedi as imagens de um comerciante que tinha uma loja próximo ao local. Levei à polícia, que nada fez. Hoje, tenho medo de andar na rua sozinha. Se for à noite, evito o máximo, tento ir sempre de carro, porque não me sinto mais segura na rua”.

A delegada Michele Meira orienta que, se possível, é importante que a vítima procure uma delegacia especializada de atendimento à mulher, e que tome cuidados para que o criminoso possa ser identificado.

“O atendimento pode ser feito em qualquer unidade policial. O que a gente pede é que ela compareça à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, para ter um atendimento mais especializado. E, assim que puder, acione o 190 para ser encaminhada ao atendimento hospitalar, se necessário. É importante que ela não se desfaça das suas vestes, não tome banho antes de comparecer à polícia, para que a gente possa identificar esse autor”, disse.

Mulher é seguida e sofre tentativa de estupro no meio da rua — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

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